quinta-feira, 11 de julho de 2019
quinta-feira, 8 de março de 2018
Sobre o Dia Internacional da Mulher
Cada dia é uma
luta sem tréguas para provar seu valor em uma sociedade machista, para garantir
seus direitos, adquiridos a duras penas, para mostrar que seu espaço na
história foi conquistado e não cedido por ninguém. Como cientistas, técnicas,
professoras, trabalhadoras em geral e empresárias; mães, filhas, irmãs, esposas
e amigas, são tantos os papéis e conquistas que não caberia em um só dia
homenagear as mulheres em nossa história. Só podemos usar este dia em especial
para lançarmos luz sobre as injustiças cometidas contra elas, pelo preconceito
velado ou explícito, pelas vitórias que não lhes foram atribuídas injustamente.
Este é um dia especial, que deve ser tomado como ponto de reflexão, mas não
deve ser o único, pois a luta das mulheres deve ser a nossa luta como sociedade
para termos um mundo melhor.
O Dia
Internacional da Mulher surge da luta, das manifestações, da voz de mulheres
aguerridas como Clara Zetkin, professora e jornalista alemã; surge da luta de
Alexandra Kollontai e suas companheiras que ganharam as ruas da Rússia czarista
procurando construir um mundo melhor. Nesta manifestação, nesta grande
manifestação de 8 de março de 1917, fica a data que hoje comemoramos. São 101
anos de luta? Na verdade, esta luta é muito anterior, vem desde que a primeira
mulher percebeu a opressão e as injustiças que lhe imputavam a sociedade onde
estava e resolveu se rebelar. O feminismo é rebeldia, contestação, busca
concreta de um mundo melhor, mais justo e igualitário. Um mundo onde Hipátia de
Alexandria e Hildegarda de Bigen figurariam como contribuintes expressivas da
Filosofia e não somente como nota de rodapé em livros de História da Filosofia.
Não teríamos medo de comentar e refletir sobre os textos de Simone de Beauvoir,
Edith Stein ou Rosa de Luxemburgo, pois seus pensamentos e ações só
demonstraram a grandiosidade de sua obra. Só o obscurantismo, retrógrado e
covarde, tem medo de ouvir as palavras de Ângela Davis, que nos mostram a luta
das mulheres negras, sua garra e sua força para mudar o que está aí, este mundo
tão desigual. Queria eu ter tido a coragem de Hannah Arendt ao escrever “Eichmann
em Jerusalém” e escancarar a “face comum e normal do mal”. É esta mesma face
que hoje diz não haver injustiças para com as mulheres, não haver exploração, não
haver distinção no mercado de trabalho. São “homens de bem” que muitas vezes
apregoam que a desigualdade e a injustiça são fruto de mentes revoltadas e
delirantes. Pois é com revolta que devemos nos debruçar sobre os problemas
desta sociedade humana decadente, é com força e determinação que devemos nos
aventurar a muda-la. E é, principalmente, com o sonho delirante de um mundo
melhor que devemos continuar a seguir lutando. Não somente as mulheres, mas
todos nós, feministas, antirracistas, antifascistas, lutadoras e lutadores que
buscam um mundo melhor.
Tantos nomes, tantas contribuições, tantas lutas
e tantas batalhas ainda por vencer. Não
existe mundo melhor sem feminismo! Não existe utopia com segregação!
domingo, 12 de julho de 2015
Que é isso a Interdisciplinaridade?
A relação do ser humano com o conhecimento é, acima de tudo, uma luta pela sua adaptação em um mundo onde este se encontra e cuja transformação se dá por um processo dialético. Desta forma ser humano e mundo se transformam em um ciclo de tese, antítese e síntese. É partindo desta visão dialética de transformação que pretendo expor nas linhas a seguir o processo de interdisciplinalidade e sua ligação com a complexidade do conhecimento humano. Diferente de outros animais a transformação humana do mundo não procura manter a natureza das coisas, ou seja, o equilíbrio natural sobre o qual as criaturas vivas se reproduzem e morrem. O mundo é para o ser humano um objeto a ser humanizado, ou seja, ele procura torná-lo seu, e assim vem sendo no decorrer da história humana que se dá desde que os primeiros homo sapiens coletores-caçadores começaram a criar suas ferramentas "humanas" até o processo de industrialização que reduziu a natureza a mera matéria prima a ser "melhorada" na forma de produtos consumíveis pelo ser humano. Da mesma forma se tratou o conhecimento humano, como instrumento de adaptação para ativos a serem negociados por empresas. Tal fenômeno de transformação do conhecimento e da própria história do homem ainda está em movimento. Estamos no meio de um mar cujo horizonte não vislumbramos, a cada onda pensamos ver seu fim, mas logo percebemos que deste estamos ainda distantes.
Pensar o conhecimento como instrumento de adaptação é por demais perigoso para aqueles que não enxergam a grandiosidade que é a adaptação do seres vivos. Tal definição do conhecimento poderia reduzi-lo a mero cognitivismo e, portanto, a informações estruturadas e soluções de problemas apreendidos. Conhecer é mais do que saber racional, é saber de corpo inteiro. É sentir, raciocinar, julgar, apaixonar-se e criar. Todos estes processos envolvem a fisiologia humana como um todo e torna o conhecimento algo complexo. Perde-se a fórmula cartesiana do "cogito ergo sum", para dar-se espaço ao Ser. Sou mente-corpo-ego (self). Como explica Freud em seu O Mal Estar da Civilização, o Id que predomina em nosso nascimento, que é pura energia psíquica canalizada de nossos sentidos e órgãos, dá espaço ao nosso Ego, que interage com a mãe em primeiro lugar e se torna um com ela. Este frágil Ego expande-se para tornar o mundo um reflexo de si mesmo e de sua vontade. A separação do Ego do Outro - aqui uso a forma de Lacan de explicitar o além do eu - é dolorosa, mas se faz necessária para a própria sobrevivência e adaptação do ser humano aos inúmeros percalços que lhe aguardam. Sua maturação fisiológica reflete-se em seu cérebro que se torna maior e permite operações cada vez mais difíceis, deixando para trás o cérebro de nossos primos chimpanzés e se definindo como humano de fato. Somos tão pouco naturais com nossos instrumentos, nossas técnicas e tecnologias. Ser humano é Ser não-natural e ao mesmo tempo fazer parte da natureza. Novamente percebe-se aí uma trama dialética que nos faz construirmo-nos ao passo que construimos nosso mundo. O choque de nossso-mundo-humano com o mundo-natural está se fazendo visível atualmente, nas questões ambientais, nas doenças que nos flagelam e no desequilíbrio que se vê em todos os nossos níveis, do individual ao social. Matamo-nos a cada passo que vivemos. Mas deixando de lado a questão do humano no mundo, voltemos ao Conhecimento. Se este é como explicitado acima, um conjunto de relações complexas de nosso próprio corpo com o mundo exterior, com o Outro que se faz como oposição a nós e como referencial para nossa caminhada, então ele é Complexo em sua natureza. Ele é formado de partes relacionadas intrinsecamente e cujas relações transformam tais partes, de forma tal que não se pode entender as partes sem as relações a ela relacionadas. Conhecimento é Complexidade, como diz Edgar Morin e para trabalharmos tal conhecimento é preciso que entendamos as relações nele construídas.
O mapeamento das relações construídas no processo de conhecer foi proposto de forma discreta por Joseph Novak, em seus Mapas Conceituais, que apontam para os conhecimentos significativos construídos pelo ser humano e que permitem tornar conscientes conceitos e suas ligações a fim de que possamos refletir de fato sobre o que conhecemos. Mas os Mapas Conceituais são imagens estanques de um processo em andamento, um processo em movimento e só trabalha com uma faceta do Conhecimento, aquilo que é tornado conceito, logo, dentro da dimensão do racional e da semiótica. Não sentimos nos Mapas Conceituais, não rimos nestes artefatos, não Somos tais artefatos. Mas eles nos servem como um filme ou fotografia por onde começamos a trabalhar com o que é significativo para nós. Ou seja, nos permite termos uma ótima ferramenta para conseguirmos extrair dos seres humanos o que lhes é significativo do ponto de vista do Conhecimento. Tal como Carl Rogers preconizou, trabalhar a partir do significativo nos permite ter uma base sólida para auxiliar os seres humanos como pessoas, ou seja, como um todo. Este "significativo" tem haver com as vivências, ansiedades, perspectivas, conhecimentos, medos e outras características que são mais amplas que o ser-cognitivo. No entanto, entender esta complexidade que é o ser-humano-ego - alguém que existe dentro de uma coletividade e ao mesmo tempo se mantém como indivíduo- trás-nos um problema interessante para aqueles que se propõem a serem educadores. Ser educador é educar para a vida, como diria Paulo Freire, e a vida é algo mais amplo que uma tabuada ou uma regra gramatical. E são tantas informações que nossas ciências criaram, com suas respectivas tecnologias e técnicas. Como, enquanto educador, posso trabalhar com tamanha massa de informações e com tantas pessoas que se encontram em minha sala de aula?
A interdisciplinaridade seria um primeiro passo para tal tarefa do educador. Como fragmentamos nossos conhecimentos científicos a fim de aprofundá-los, precisamos trabalhar com as pessoas as interrelações destes saberes de forma tal que eles partam de seus conhecimentos significativos e criem novos significados. Educar é, portanto, auxiliar as pessoas a poderem ser autônomas em seu processo de conhecimento, críticas em sua visão de mundo e criativas. Assim, a interdisciplinaridade deve ser inserida no âmbito das instituições de educação como uma proposta, em primeiro lugar de discussão dos professores sobre seus saberes individuais e como estes se relacionam, e em segundo lugar ter como base o que efetivamente é significativo para as pessoas. Ausubel trabalha, tal como Rogers, com o conceito de Aprendizagem Significativa, porém, sua abordagem ainda é cognitivista no âmbito de suas ponderações. Rogers já trabalha o ser humano como pessoa, ou seja, como ser-acima-do-meramente-cognitivo. Se tomamos estes dois pontos como base então teremos condição de montar um projeto que permita-nos tentar explicitar as interrelações dos diversos saberes não só no que tange a um ano letivo, mas por todo o ciclo de formação, quer fundamental, médio ou superior.
É uma obra e tanto fazer um projeto para cobrir todo um ciclo de aprendizagem, assim, creio ser o caminho mais natural ter vários projetos que possam ser trabalhados, ano a ano, fechando os objetivos maiores do ciclo de conhecimento que se quer atingir juntamente com as outras pessoas. Note que educador e educando são parceiros neste processo. Andemos em pequenos passsos, "baby steps", como dizem os norte-americanos de língua Ânglo-saxônica. E como fazer? Vejamos um exemplo prático.
O curso de Sistemas e Mídias Digitais (smd.virtual.ufc.br) da Universidade Federal do Ceará permite que seus cursistas possam ser habilitados em três áreas: Jogos Eletrônicos, Sistemas Digitais (projeto e desenvolvimento de softwares) e Mídias Digitais Interativas. Bem, o primeiro passo é conseguir fazer com que as pessoas que ingressem neste curso possam ter dimensão do todo. Do que são Sistemas e Mídias Digitais. Pra tanto, seus professores deverão ter esta dimensão só então poderão propor projetos interdisciplinares onde as várias disciplinas ministrada se encontrem em uma tramas de uma teia. Não é necessário se ter um produto ou artefato final, mas o conjunto coordenado de atividades, discussões e interações que vão além das disciplinas em si. Um professor de programação pode trabalhar com construção de jogos educacionais em sua primeira abordagem desta matéria e um professor de tecnologias educacionais pode dar base para que se possa pensar nestes jogos. Veja que o projeto e a discussão constante dos professores é fundamental, pois estes devem começar seus cursos a partir do que é significante para os alunos e tornar seus temas algo que possa se tornar significante no decorrer do curso. Mas tal significância só se dará se for relacionada a outras áreas, a teia de conhecimento necessária para o ser humano realmente conhecer.
Estas são palavras iniciais para uma grande e profunda discussão que é a Interdisciplinaridade. Mas como primeiro exposto, este autor já se dá por satisfeito. Assim, termino citando Karl Marx em suas Teses sobre Feuerbach: "Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo".
Wellington Wagner
Pensar o conhecimento como instrumento de adaptação é por demais perigoso para aqueles que não enxergam a grandiosidade que é a adaptação do seres vivos. Tal definição do conhecimento poderia reduzi-lo a mero cognitivismo e, portanto, a informações estruturadas e soluções de problemas apreendidos. Conhecer é mais do que saber racional, é saber de corpo inteiro. É sentir, raciocinar, julgar, apaixonar-se e criar. Todos estes processos envolvem a fisiologia humana como um todo e torna o conhecimento algo complexo. Perde-se a fórmula cartesiana do "cogito ergo sum", para dar-se espaço ao Ser. Sou mente-corpo-ego (self). Como explica Freud em seu O Mal Estar da Civilização, o Id que predomina em nosso nascimento, que é pura energia psíquica canalizada de nossos sentidos e órgãos, dá espaço ao nosso Ego, que interage com a mãe em primeiro lugar e se torna um com ela. Este frágil Ego expande-se para tornar o mundo um reflexo de si mesmo e de sua vontade. A separação do Ego do Outro - aqui uso a forma de Lacan de explicitar o além do eu - é dolorosa, mas se faz necessária para a própria sobrevivência e adaptação do ser humano aos inúmeros percalços que lhe aguardam. Sua maturação fisiológica reflete-se em seu cérebro que se torna maior e permite operações cada vez mais difíceis, deixando para trás o cérebro de nossos primos chimpanzés e se definindo como humano de fato. Somos tão pouco naturais com nossos instrumentos, nossas técnicas e tecnologias. Ser humano é Ser não-natural e ao mesmo tempo fazer parte da natureza. Novamente percebe-se aí uma trama dialética que nos faz construirmo-nos ao passo que construimos nosso mundo. O choque de nossso-mundo-humano com o mundo-natural está se fazendo visível atualmente, nas questões ambientais, nas doenças que nos flagelam e no desequilíbrio que se vê em todos os nossos níveis, do individual ao social. Matamo-nos a cada passo que vivemos. Mas deixando de lado a questão do humano no mundo, voltemos ao Conhecimento. Se este é como explicitado acima, um conjunto de relações complexas de nosso próprio corpo com o mundo exterior, com o Outro que se faz como oposição a nós e como referencial para nossa caminhada, então ele é Complexo em sua natureza. Ele é formado de partes relacionadas intrinsecamente e cujas relações transformam tais partes, de forma tal que não se pode entender as partes sem as relações a ela relacionadas. Conhecimento é Complexidade, como diz Edgar Morin e para trabalharmos tal conhecimento é preciso que entendamos as relações nele construídas.
O mapeamento das relações construídas no processo de conhecer foi proposto de forma discreta por Joseph Novak, em seus Mapas Conceituais, que apontam para os conhecimentos significativos construídos pelo ser humano e que permitem tornar conscientes conceitos e suas ligações a fim de que possamos refletir de fato sobre o que conhecemos. Mas os Mapas Conceituais são imagens estanques de um processo em andamento, um processo em movimento e só trabalha com uma faceta do Conhecimento, aquilo que é tornado conceito, logo, dentro da dimensão do racional e da semiótica. Não sentimos nos Mapas Conceituais, não rimos nestes artefatos, não Somos tais artefatos. Mas eles nos servem como um filme ou fotografia por onde começamos a trabalhar com o que é significativo para nós. Ou seja, nos permite termos uma ótima ferramenta para conseguirmos extrair dos seres humanos o que lhes é significativo do ponto de vista do Conhecimento. Tal como Carl Rogers preconizou, trabalhar a partir do significativo nos permite ter uma base sólida para auxiliar os seres humanos como pessoas, ou seja, como um todo. Este "significativo" tem haver com as vivências, ansiedades, perspectivas, conhecimentos, medos e outras características que são mais amplas que o ser-cognitivo. No entanto, entender esta complexidade que é o ser-humano-ego - alguém que existe dentro de uma coletividade e ao mesmo tempo se mantém como indivíduo- trás-nos um problema interessante para aqueles que se propõem a serem educadores. Ser educador é educar para a vida, como diria Paulo Freire, e a vida é algo mais amplo que uma tabuada ou uma regra gramatical. E são tantas informações que nossas ciências criaram, com suas respectivas tecnologias e técnicas. Como, enquanto educador, posso trabalhar com tamanha massa de informações e com tantas pessoas que se encontram em minha sala de aula?
A interdisciplinaridade seria um primeiro passo para tal tarefa do educador. Como fragmentamos nossos conhecimentos científicos a fim de aprofundá-los, precisamos trabalhar com as pessoas as interrelações destes saberes de forma tal que eles partam de seus conhecimentos significativos e criem novos significados. Educar é, portanto, auxiliar as pessoas a poderem ser autônomas em seu processo de conhecimento, críticas em sua visão de mundo e criativas. Assim, a interdisciplinaridade deve ser inserida no âmbito das instituições de educação como uma proposta, em primeiro lugar de discussão dos professores sobre seus saberes individuais e como estes se relacionam, e em segundo lugar ter como base o que efetivamente é significativo para as pessoas. Ausubel trabalha, tal como Rogers, com o conceito de Aprendizagem Significativa, porém, sua abordagem ainda é cognitivista no âmbito de suas ponderações. Rogers já trabalha o ser humano como pessoa, ou seja, como ser-acima-do-meramente-cognitivo. Se tomamos estes dois pontos como base então teremos condição de montar um projeto que permita-nos tentar explicitar as interrelações dos diversos saberes não só no que tange a um ano letivo, mas por todo o ciclo de formação, quer fundamental, médio ou superior.
É uma obra e tanto fazer um projeto para cobrir todo um ciclo de aprendizagem, assim, creio ser o caminho mais natural ter vários projetos que possam ser trabalhados, ano a ano, fechando os objetivos maiores do ciclo de conhecimento que se quer atingir juntamente com as outras pessoas. Note que educador e educando são parceiros neste processo. Andemos em pequenos passsos, "baby steps", como dizem os norte-americanos de língua Ânglo-saxônica. E como fazer? Vejamos um exemplo prático.
O curso de Sistemas e Mídias Digitais (smd.virtual.ufc.br) da Universidade Federal do Ceará permite que seus cursistas possam ser habilitados em três áreas: Jogos Eletrônicos, Sistemas Digitais (projeto e desenvolvimento de softwares) e Mídias Digitais Interativas. Bem, o primeiro passo é conseguir fazer com que as pessoas que ingressem neste curso possam ter dimensão do todo. Do que são Sistemas e Mídias Digitais. Pra tanto, seus professores deverão ter esta dimensão só então poderão propor projetos interdisciplinares onde as várias disciplinas ministrada se encontrem em uma tramas de uma teia. Não é necessário se ter um produto ou artefato final, mas o conjunto coordenado de atividades, discussões e interações que vão além das disciplinas em si. Um professor de programação pode trabalhar com construção de jogos educacionais em sua primeira abordagem desta matéria e um professor de tecnologias educacionais pode dar base para que se possa pensar nestes jogos. Veja que o projeto e a discussão constante dos professores é fundamental, pois estes devem começar seus cursos a partir do que é significante para os alunos e tornar seus temas algo que possa se tornar significante no decorrer do curso. Mas tal significância só se dará se for relacionada a outras áreas, a teia de conhecimento necessária para o ser humano realmente conhecer.
Estas são palavras iniciais para uma grande e profunda discussão que é a Interdisciplinaridade. Mas como primeiro exposto, este autor já se dá por satisfeito. Assim, termino citando Karl Marx em suas Teses sobre Feuerbach: "Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo".
Wellington Wagner
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Sou um arqueiro!
Sou um arqueiro! Um amigo, Victor Alessandro, perguntou-me há quanto tempo praticava arco. Fazem hoje exatos 1 ano e 2 meses. Pouco tempo de experiência mas seguidos de longas horas de estudo. Tive o prazer de aprender a arquearia do Pakua com meus Shifu Léa Nogueira e Lucas Meireles! Atirar parado, atirar em movimento, atirar em círculo, atirar sentindo que o arco e a flecha são extensões suas e que o acerto do alvo é apenas uma consequência de seu próprio auto-aperfeiçoamento. Estudei como os antigos mongóis atirVam com seus arcos, estudei como os Manchus da última grande dinastia da China, Quing, atiravam. E por fim estudei o estilo Otomano de arco. Cada detalhe da postura, da empunhadura, da puxada, das flechas, da velocidade do tiro, do ritual para se atirar, é uma viagem por cada uma destas culturas. Também tive o prazer de ter aulas de arquearia moderna olímpica e sua disciplina e precisão (com os instrutores André Teixeira e Paulo Henrique Barbosa Rocha). Atirei em um alvo à dezoito metros de distância. Doze flechas em uma aglomeração de vinte centímetros. Não é nada olímpico mais é um exercício único de precisão. Para mim foi algo maravilhoso.
Para um arqueiro cada flecha fora do acerto é uma lição que não pode afetar em sua segurança quanto a próxima flecha. Assim, passado torna-se aprendizagem e futuro conhecimento. Essa é a disciplina do arco para mim. Atirei centenas de vezes por semana em pouco mais de um ano. Foram milhares de flechas, em diferentes estilos, em diferentes situações, em diferentes humores. O arco é reflexo da vida do arqueiro. É seu caminho expresso em uma fração de minuto. Aprendi isso é sempre estará comigo. Por isso sou um arqueiro.
Por fim, senti que não sou eu mais que conduzo o arco mais o fazemos em movimento dialético, onde eu sou conduzido por ele e de volta o conduzo. Eis a dialética do Arco e a beleza do Arquerismo!
Para um arqueiro cada flecha fora do acerto é uma lição que não pode afetar em sua segurança quanto a próxima flecha. Assim, passado torna-se aprendizagem e futuro conhecimento. Essa é a disciplina do arco para mim. Atirei centenas de vezes por semana em pouco mais de um ano. Foram milhares de flechas, em diferentes estilos, em diferentes situações, em diferentes humores. O arco é reflexo da vida do arqueiro. É seu caminho expresso em uma fração de minuto. Aprendi isso é sempre estará comigo. Por isso sou um arqueiro.
Por fim, senti que não sou eu mais que conduzo o arco mais o fazemos em movimento dialético, onde eu sou conduzido por ele e de volta o conduzo. Eis a dialética do Arco e a beleza do Arquerismo!
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Em que acredito...
No que acredito
Já se passaram vinte e seis verões desde que estive pela última vez em um mosteiro franciscano. Aprendi o catecismo católico dentre esta ordem de frades e muito me orgulho disso. Sempre senti algo que me ligava a todas as coisas – animadas e não animadas – da Natureza. Via como eram mágicas as luzes do arco-íris, o Sol, os seres vivos, o Universo e a mente humana. Minha fé surgiu daí, das maravilhas que podia sentir e de saber que algo nos entrelaçava, como as delicadas mas tenazes teias de uma aranha. Estive em outras religiões, além da católica apostólica romana, dentre elas a protestante pentecostal e a espírita kardecista e aprendi muitos dos ensinamentos do Budismo de origem indiana e o tibetano. Estudei a filosofia de Confúcio e vi como se tornou uma religião da moral. Também aprendi sobre os deuses indianos, do Candomblé, o Tao, o Chi e o Zen Budismo. Encontrei sabias palavras no Alcorão e em muitos pensamentos do Islamismo. Estudei e pratiquei em minha vida muitas religiões e me mantive cristão por achar que muitos dos ensinamentos de Cristo tinham mais a ver com minha visão de Deus do que qualquer outro.
Embora só conheçamos Cristo pelas suas palavras escritas por outros – seus apóstolos – não me furtei de aprofundar-me mais e mais nos evangelhos canônicos e apócrifos. Assim me mantive teísta e idealista. Creio em um mundo melhor e que possamos conviver com nossa irmã Terra em harmonia. Um mundo sem violência, onde possamos nos orgulhar de sermos o que somos e que o termo humano não seja mais ligado a atos insanos de violência e destruição. Nunca vi causas tão grandes de mortes e destruição do que as causadas pelas religiões. Mas vi que estas em si não eram o problema, mas sim um canalizador da ambição, usura, inveja, violência e ganâncias humanas. As religiões criam comunidades e regras que são afetadas por seus criadores e podem se tornar veículos ou desculpas para o PODER. O poder de ter as coisas, de submeter as pessoas ao desejo de poucas ou de satisfazer desejos individualistas e vis. A religião, dentre o sofrimento humano, é um unguento, mas pode se tornar seu “ópio”.
Ao pensar sobre isso me tornei um duro crítico das religiões que cegam, das que tiram o amor e substituem pelo ódio. Das que marginalizam, das que não compreendem e nem buscam compreender o próximo, das que escondem a ganância, usura, intolerância e ignorância como sendo “verdades” inquestionáveis. Sou um humanista pois acredito no potencial criativo e transformador dos homens. E creio que as religiões possam canalizar estes sentimentos. Religiões que sejam tolerantes, que cultuem a diversidade, que não sejam instrumentos de adoração e sim de transformação. O deus em que creio nunca faria um ser vivo medir sua lealdade testando sua fé em detrimento de seu amor. Para mim fé e amor estão juntos, não podendo ser coisas contrastantes. Neste caso, meu deus não é o de Abraão e o de Jacó, pois este era um deus de um povo em uma determinada época e em um determinado contexto. Talvez fosse a única forma dos seres humanos desta época entenderem o respeito ao próximo, mas creio que não seja o caso de hoje. Meu deus não é o de Maomé pois este não pune, castiga ou recompensa. Ele é bondade pura, criação e beleza. Um fluxo inesgotável no qual resolvemos ou não entrar. Se entrarmos, seremos parte harmônica do todo que é Deus. Uso o termo “Deus” pois acredito no uno, na essência unificadora do universo. Naquilo que flui e nos liberta. Daquilo que era feito o espírito de Cristo e o levou a fazer grandes sacrifícios para mostrar o que era amar ao próximo. Este é o meu Deus, como o vejo e como me sinto. Deus est Caritas, Deus é Amor. E se Deus leva à Verdade, somente o amor leva à Verdade. E a Verdade é libertadora, ela não nos oprime, mas nos ensina e nos faz nos sentirmos melhores e bem. Ela não pode estar ligada a assassinatos, sequestros, estupros, intolerâncias, mortes, violência, escravidão. O meu Deus nunca poderá ser compatível com aquele que guiou as espadas dos cruzados, as bombas dos jihradistas ou o fuzil dos judeus. Não pode tolerar sacrifícios de seres vivos, não pode estar com aqueles que praticam o terror, quer seja de Estado ou grupos. Meus Deus me faz compreensível com a fé de meus irmãos e irmãs de todo o mundo, porém, permite-me combater as injustiças que a fé possa criar. Gosto muito da expressão “Alá, o misericordioso”, pois demonstra que a verdadeira essência está na misericórdia. Não está nas posses materiais ou no castigo ou nas venturas. Não creio em um deus ou deuses que castigam as pessoas, que fazem com que elas fiquem ricas, que lhes dê presentes ou lhes faça melhor que outras. Isto é demasiado humano para ser Deus. É como olhar em um espelho e dizer que a imagem projetada é Deus. Só somos a imagem de Deus quando dele fazemos parte. Eis no que creio.
Ateísmo, agnosticismo ou religiosidade não fazem boas pessoas. Boas pessoas fazem destas crenças ou não crenças algo bom. E ser bom é entender que devemos amar “uns aos outros” como irmãos, sejam humanos ou não. Se somos todos criaturas de Deus, somos todos irmãos. Francisco de Assis compreendeu muito bem isso. Ghandi também viu a beleza desta afirmação.
Vi tantos milagres, tantas belezas, tantas coisas nesta minha vida que não poderia deixar de acreditar cada vez mais em Deus. Sou o que sou e não quero que ninguém siga meu deus, mas descubra dentro de si o seu deus. Que ele o guie para o amor e a humildade. Que o torne uma boa pessoa. Assim, creio eu, teremos descoberto o mesmo Deus, independente da religião em que estejamos. Creio que as pessoas precisem das religiões, elas os enlaçam e promovem sua fé. É algo que temos há milhões de anos. Faz parte de nós. No entanto, como deve ser esta religião é nossa responsabilidade. Nenhum profeta, apóstolo ou homem santo pode ser responsabilizado por nossos atos. Temos livre arbítrio, ou seja, somos guiados por nós mesmos. Por nosso consciente e inconsciente, pelo que faz nosso self, nosso Eu.
Não quero evangelizar ninguém, não quero mostrar a verdade a ninguém, sigo o que acredito e procuro agir conforme minhas crenças. Meu exemplo é meu evangelho, venho anunciá-lo a todos que queiram ouvi-lo através de meus atos. Estou longe de ser o que gostaria de ser, da pessoa que acho que deveria ser - uma boa pessoa - mas “sem dúvidas não sou mais o que era”. Dou graças a Deus por isso!
Gosto de rezar no silêncio acolhedor das igrejas católicas, mas já encontrei a Deus olhando em minha janela e no sorriso de meu filho. Procure a Deus e o achará “embaixo de cada pedra, sob troncos, em tudo que o rodeia”.
Por fim, peço aos que amo que leiam o que escrevo e procurem refletir. Minhas aflições e minhas felicidades são meu caminho para me tornar uma pessoa melhor e, talvez, eu veja ao meu Senhor no final desta jornada.
Em que acredito? Acredito no Universo, cujas leis estamos tentando compreender; acredito na Vida como o mais fantástico milagre que já conheci; nos seres humanos, pois seu potencial é impressionante; e em Deus, pois é o caminho, a verdade e a luz que procuro. “Ainda que eu esteja no vale escuro da morte, nada temerei” pois meu Deus está comigo e está em mim.
Deus abençoe a todos!
Já se passaram vinte e seis verões desde que estive pela última vez em um mosteiro franciscano. Aprendi o catecismo católico dentre esta ordem de frades e muito me orgulho disso. Sempre senti algo que me ligava a todas as coisas – animadas e não animadas – da Natureza. Via como eram mágicas as luzes do arco-íris, o Sol, os seres vivos, o Universo e a mente humana. Minha fé surgiu daí, das maravilhas que podia sentir e de saber que algo nos entrelaçava, como as delicadas mas tenazes teias de uma aranha. Estive em outras religiões, além da católica apostólica romana, dentre elas a protestante pentecostal e a espírita kardecista e aprendi muitos dos ensinamentos do Budismo de origem indiana e o tibetano. Estudei a filosofia de Confúcio e vi como se tornou uma religião da moral. Também aprendi sobre os deuses indianos, do Candomblé, o Tao, o Chi e o Zen Budismo. Encontrei sabias palavras no Alcorão e em muitos pensamentos do Islamismo. Estudei e pratiquei em minha vida muitas religiões e me mantive cristão por achar que muitos dos ensinamentos de Cristo tinham mais a ver com minha visão de Deus do que qualquer outro.
Embora só conheçamos Cristo pelas suas palavras escritas por outros – seus apóstolos – não me furtei de aprofundar-me mais e mais nos evangelhos canônicos e apócrifos. Assim me mantive teísta e idealista. Creio em um mundo melhor e que possamos conviver com nossa irmã Terra em harmonia. Um mundo sem violência, onde possamos nos orgulhar de sermos o que somos e que o termo humano não seja mais ligado a atos insanos de violência e destruição. Nunca vi causas tão grandes de mortes e destruição do que as causadas pelas religiões. Mas vi que estas em si não eram o problema, mas sim um canalizador da ambição, usura, inveja, violência e ganâncias humanas. As religiões criam comunidades e regras que são afetadas por seus criadores e podem se tornar veículos ou desculpas para o PODER. O poder de ter as coisas, de submeter as pessoas ao desejo de poucas ou de satisfazer desejos individualistas e vis. A religião, dentre o sofrimento humano, é um unguento, mas pode se tornar seu “ópio”.
Ao pensar sobre isso me tornei um duro crítico das religiões que cegam, das que tiram o amor e substituem pelo ódio. Das que marginalizam, das que não compreendem e nem buscam compreender o próximo, das que escondem a ganância, usura, intolerância e ignorância como sendo “verdades” inquestionáveis. Sou um humanista pois acredito no potencial criativo e transformador dos homens. E creio que as religiões possam canalizar estes sentimentos. Religiões que sejam tolerantes, que cultuem a diversidade, que não sejam instrumentos de adoração e sim de transformação. O deus em que creio nunca faria um ser vivo medir sua lealdade testando sua fé em detrimento de seu amor. Para mim fé e amor estão juntos, não podendo ser coisas contrastantes. Neste caso, meu deus não é o de Abraão e o de Jacó, pois este era um deus de um povo em uma determinada época e em um determinado contexto. Talvez fosse a única forma dos seres humanos desta época entenderem o respeito ao próximo, mas creio que não seja o caso de hoje. Meu deus não é o de Maomé pois este não pune, castiga ou recompensa. Ele é bondade pura, criação e beleza. Um fluxo inesgotável no qual resolvemos ou não entrar. Se entrarmos, seremos parte harmônica do todo que é Deus. Uso o termo “Deus” pois acredito no uno, na essência unificadora do universo. Naquilo que flui e nos liberta. Daquilo que era feito o espírito de Cristo e o levou a fazer grandes sacrifícios para mostrar o que era amar ao próximo. Este é o meu Deus, como o vejo e como me sinto. Deus est Caritas, Deus é Amor. E se Deus leva à Verdade, somente o amor leva à Verdade. E a Verdade é libertadora, ela não nos oprime, mas nos ensina e nos faz nos sentirmos melhores e bem. Ela não pode estar ligada a assassinatos, sequestros, estupros, intolerâncias, mortes, violência, escravidão. O meu Deus nunca poderá ser compatível com aquele que guiou as espadas dos cruzados, as bombas dos jihradistas ou o fuzil dos judeus. Não pode tolerar sacrifícios de seres vivos, não pode estar com aqueles que praticam o terror, quer seja de Estado ou grupos. Meus Deus me faz compreensível com a fé de meus irmãos e irmãs de todo o mundo, porém, permite-me combater as injustiças que a fé possa criar. Gosto muito da expressão “Alá, o misericordioso”, pois demonstra que a verdadeira essência está na misericórdia. Não está nas posses materiais ou no castigo ou nas venturas. Não creio em um deus ou deuses que castigam as pessoas, que fazem com que elas fiquem ricas, que lhes dê presentes ou lhes faça melhor que outras. Isto é demasiado humano para ser Deus. É como olhar em um espelho e dizer que a imagem projetada é Deus. Só somos a imagem de Deus quando dele fazemos parte. Eis no que creio.
Ateísmo, agnosticismo ou religiosidade não fazem boas pessoas. Boas pessoas fazem destas crenças ou não crenças algo bom. E ser bom é entender que devemos amar “uns aos outros” como irmãos, sejam humanos ou não. Se somos todos criaturas de Deus, somos todos irmãos. Francisco de Assis compreendeu muito bem isso. Ghandi também viu a beleza desta afirmação.
Vi tantos milagres, tantas belezas, tantas coisas nesta minha vida que não poderia deixar de acreditar cada vez mais em Deus. Sou o que sou e não quero que ninguém siga meu deus, mas descubra dentro de si o seu deus. Que ele o guie para o amor e a humildade. Que o torne uma boa pessoa. Assim, creio eu, teremos descoberto o mesmo Deus, independente da religião em que estejamos. Creio que as pessoas precisem das religiões, elas os enlaçam e promovem sua fé. É algo que temos há milhões de anos. Faz parte de nós. No entanto, como deve ser esta religião é nossa responsabilidade. Nenhum profeta, apóstolo ou homem santo pode ser responsabilizado por nossos atos. Temos livre arbítrio, ou seja, somos guiados por nós mesmos. Por nosso consciente e inconsciente, pelo que faz nosso self, nosso Eu.
Não quero evangelizar ninguém, não quero mostrar a verdade a ninguém, sigo o que acredito e procuro agir conforme minhas crenças. Meu exemplo é meu evangelho, venho anunciá-lo a todos que queiram ouvi-lo através de meus atos. Estou longe de ser o que gostaria de ser, da pessoa que acho que deveria ser - uma boa pessoa - mas “sem dúvidas não sou mais o que era”. Dou graças a Deus por isso!
Gosto de rezar no silêncio acolhedor das igrejas católicas, mas já encontrei a Deus olhando em minha janela e no sorriso de meu filho. Procure a Deus e o achará “embaixo de cada pedra, sob troncos, em tudo que o rodeia”.
Por fim, peço aos que amo que leiam o que escrevo e procurem refletir. Minhas aflições e minhas felicidades são meu caminho para me tornar uma pessoa melhor e, talvez, eu veja ao meu Senhor no final desta jornada.
Em que acredito? Acredito no Universo, cujas leis estamos tentando compreender; acredito na Vida como o mais fantástico milagre que já conheci; nos seres humanos, pois seu potencial é impressionante; e em Deus, pois é o caminho, a verdade e a luz que procuro. “Ainda que eu esteja no vale escuro da morte, nada temerei” pois meu Deus está comigo e está em mim.
Deus abençoe a todos!
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Pedagogia não presta para nada!
Calma, por favor, não me espanquem antes que eu possa argumentar sobre o título deste artigo. Vemos hoje uma profusão muito grande de cursos de Pedagogia e, em pesquisa particular com alguns alunos, seus motivos para entrar na Pedagogia foram: "não sabiam o que mais poderiam fazer" ou "era o curso que dava para entrar". Obviamente exortei para estes alunos que ser pedagogo é como ser um médico, você pode "tirar"a vida de uma pessoa ou curá-la. Sou professor há mais de 12 anos - dos quais 7 como docente para nível superior - e não vejo profissão mais delicada que a do pedagogo, pois traça os rumos educacionais que serão seguidos por diversos alunos e professores.
Já ouvi de vários amigos técnicos que Pedagogia não prestava pois as pessoas pareciam "correr atrás do próprio rabo"e não chegar a lugar nenhum. Ninguém realmente se posicionava e firmemente abraçava uma corrente ou correntes filosóficas/pedagógicas para aplicar em sala de aula e mudar as coisas. Tudo era sempre o trinômio: Skinner-Piaget-Vygotsky, sendo este último o mais usado para justificar os mais diversos trabalhos em sala de aula. Também acusavam os pedagogos de não criarem novos instrumentos realmente importantes para a Educação e sim simplesmente usá-los, como as Redes
Sociais, os AVA e, agora, os Ambientes de Curso Massivos. Vinham, portanto, a reboque das tecnologias digitais.
Pensei, pensei, pensei e disse para mim mesmo: não posso partir de um ou dois exemplos para generalizar. Primeiramente, lembrei dos fundamentos da Pedagogia como ciência que procura estudar e criar meios para favorecer o processo de ensino e aprendizagem (uso os dois conceitos, pois assim é minha visão do processo educacional). Como tal, têm-se muito mais do que os psicólogos, filósofos ou epistemologistas que deram fundamentos a esta Ciência. Temos Paulo Freire e sua Pedagogia da Autonomia. Através dela pude cunhar meu próprio conceito de Educação, como processo pelo qual o ser constrói a si mesmo como autônomo, adaptável e atuante, dentro de uma sociedade humana que faz parte de um planeta (ecosistema). A complexidade desta definição é grande, embora pareça óbvia. Não sou professor para reproduzir conhecimentos prévios, troco com meus alunos experiências de vida e de conhecimento; não sou professor para só lecionar sobre o assunto da ementa, busco fazer links com nossa conjuntura e com nossa sociedade; não sou professor para reduzir o aluno a um mero ser cognitivo, mas o vejo como pessoa, completa, com problemas, emoções, aspirações e motivações e também me vejo como tal.
Com isso, tento criar meu material didático, tento abrir meu espaço de discussão que chamo de aula (do latim: aula - parte da capela onde se fazia a preleção a estudante, ou pátio). A aula é meu pátio para a vida e meus instrumentos são pensados para poder melhor discutir e orientar meus interagentes. Todo semestre aprendo mais coisas e espero que as pessoas que comigo participam das aulas aprendam. Com isso, uso Freire, Rogers, Vygotsky e agora J. Sweller e G.A. Cooper (http://en.wikipedia.org/wiki/Worked-example_effect). Há um grande mundo para quem é docente e precisamos sempre estar estudando não só nossas áreas de conhecimento científico, mas a própria ciência que está no Ensinar-aprender. Daí o papel do pedagogo em trazer à tona as questões importantes, os erros, os acertos, os percalços da docência. Pensar como podemos melhorar e ir além da escola, concretamente, em forma de práxis (teórico-prático-teórico).
Sou de base marxista/hegeliano, como alguns dos que estão lendo este artigo devem saber, e por isso a práxis para mim é importante, assim como a visão histórica de nosso processo docente e seu movimento dialético (http://pt.wikipedia.org/wiki/Materialismo_dialético). Neste ponto central, ponho minha visão de mundo e daí penso como as pessoas aprendem e parto para a questão de como ajudá-las a aprender coisas novas ou, mais especificamente, como ajudá-las a serem criativas. Isso, ser criativo é meu objetivo final como professor.
As escolas de Pedagogia hoje formam professores para atuar, quase que exclusivamente, no ensino fundamental,uma área muito nobre e sem dúvidas importantíssima para nosso desenvolvimento educacional. Mas será que o pedagogo realmente queria ser um professor de ensino fundamental? Estes pedagogos-professores são polivalentes, pois misturam português, matemática e ciências num só bolo e ainda têm que ser docentes estudiosos de sua própria prática. Ah, trabalhando 60h semanais e ganhando somente para manter uma vida de classe média apertada. Esta é a vida de Pedagogo-professor-fundamental. Dá realmente pra fazer tudo isso e ser um ótimo professor? As probabilidades são contra, mas ainda temos alguns bons que se mantém na batalha. Outro caminho para o pedagogo é, se der muita sorte e continuar seus estudos, entrar para o ensino superior e viver um pouco melhor. É isso mesmo que queremos da Pedagogia? É isso mesmo que é a Pedagogia?
Um bom amigo e pedagogo, Prof. Robson Loureiro uma vez me disse que deveríamos mudar 100% os cursos de pedagogia, transformar os pedagogos em coordenadores pedagógicos, projetistas de cursos, pensadores do processo de ensinar e aprender, responsáveis pelos treinamentos em empresas, responsáveis pela visão macro e estratégica de tudo o que se refere a Educação. Sempre se mantendo atualizados, sempre se mantendo em evolução/revolução. Creio, hoje, que ele esteja certo. Meu velho amigo sempre teve uma visão invejável de futuro e uma intuição muito boa. Precisei de 6 anos para ver o que ele viu há tempos. Mas é isso que temos em nossos cursos de pedagogia? Não. E creio que isso deva ser mudado. Creio que não estamos formando gente para fazer estas atividades.
Como acho que nós da área de exatas e tecnológicas temos que conversar mais com os pedagogos de forma objetiva, ler, estudar, compreender mais novas técnicas e metodologias. Saber quem é Ausubel (obrigado, Profa. Luciana por me apresentar este psicólogo da educação), Freire, Cañas, Sweller, Salman Khan, Piaget etc.
Estou lendo agora a construção do conceito de tempo e espaço na criança, escrito por Piaget. Isto está me fazendo ver que conceitos que julgamos ser inatos não o são. Assim, o que seria "óbvio" pode não ser realmente. Será que o aluno com quem estou falando conseguiu desenvolver sua visão geométrica tridimencional por completo? Será que isso não influencia nos problemas que ele está tendo em fazer rotações de sólidos? Pensei nisso pois sempre gostei de Geometria Euclidiana e nunca me dei muito bem com a visão cartesiana da Geometria. Consegui provar a expressão (a +b)ˆ2 = aˆ2+2ab+bˆ2 usando triângulos retângulos. Isso para mim é divertido. Mas se tento abstrair para expressões algébricas, perco-me. Isso foi uma falha no meu desenvolvimento de visão abstrata (fase operatória-abstrata vista por Piaget). Neste caso, estou trabalhando para resolver este meu problema e me adaptar a uma nova forma de ver o mundo, a forma algébrica.
Então, caros leitores! Refuto minha afirmação inicial: Pedagogia serve sim, para muita coisa! Mas precisamos rever como ela está e conversar mais com pedagogos, "audaciosamente indo onde nenhum outro docente jamais foi" (parafraseando a frase final da abertura de Star Trek). :-)
Wellington Wagner
Professor de Sistemas e Mídias Digitais
Já ouvi de vários amigos técnicos que Pedagogia não prestava pois as pessoas pareciam "correr atrás do próprio rabo"e não chegar a lugar nenhum. Ninguém realmente se posicionava e firmemente abraçava uma corrente ou correntes filosóficas/pedagógicas para aplicar em sala de aula e mudar as coisas. Tudo era sempre o trinômio: Skinner-Piaget-Vygotsky, sendo este último o mais usado para justificar os mais diversos trabalhos em sala de aula. Também acusavam os pedagogos de não criarem novos instrumentos realmente importantes para a Educação e sim simplesmente usá-los, como as Redes
| Paulo Freire - Fonte: Revista Nova Escola |
Pensei, pensei, pensei e disse para mim mesmo: não posso partir de um ou dois exemplos para generalizar. Primeiramente, lembrei dos fundamentos da Pedagogia como ciência que procura estudar e criar meios para favorecer o processo de ensino e aprendizagem (uso os dois conceitos, pois assim é minha visão do processo educacional). Como tal, têm-se muito mais do que os psicólogos, filósofos ou epistemologistas que deram fundamentos a esta Ciência. Temos Paulo Freire e sua Pedagogia da Autonomia. Através dela pude cunhar meu próprio conceito de Educação, como processo pelo qual o ser constrói a si mesmo como autônomo, adaptável e atuante, dentro de uma sociedade humana que faz parte de um planeta (ecosistema). A complexidade desta definição é grande, embora pareça óbvia. Não sou professor para reproduzir conhecimentos prévios, troco com meus alunos experiências de vida e de conhecimento; não sou professor para só lecionar sobre o assunto da ementa, busco fazer links com nossa conjuntura e com nossa sociedade; não sou professor para reduzir o aluno a um mero ser cognitivo, mas o vejo como pessoa, completa, com problemas, emoções, aspirações e motivações e também me vejo como tal.
Com isso, tento criar meu material didático, tento abrir meu espaço de discussão que chamo de aula (do latim: aula - parte da capela onde se fazia a preleção a estudante, ou pátio). A aula é meu pátio para a vida e meus instrumentos são pensados para poder melhor discutir e orientar meus interagentes. Todo semestre aprendo mais coisas e espero que as pessoas que comigo participam das aulas aprendam. Com isso, uso Freire, Rogers, Vygotsky e agora J. Sweller e G.A. Cooper (http://en.wikipedia.org/wiki/Worked-example_effect). Há um grande mundo para quem é docente e precisamos sempre estar estudando não só nossas áreas de conhecimento científico, mas a própria ciência que está no Ensinar-aprender. Daí o papel do pedagogo em trazer à tona as questões importantes, os erros, os acertos, os percalços da docência. Pensar como podemos melhorar e ir além da escola, concretamente, em forma de práxis (teórico-prático-teórico).
Sou de base marxista/hegeliano, como alguns dos que estão lendo este artigo devem saber, e por isso a práxis para mim é importante, assim como a visão histórica de nosso processo docente e seu movimento dialético (http://pt.wikipedia.org/wiki/Materialismo_dialético). Neste ponto central, ponho minha visão de mundo e daí penso como as pessoas aprendem e parto para a questão de como ajudá-las a aprender coisas novas ou, mais especificamente, como ajudá-las a serem criativas. Isso, ser criativo é meu objetivo final como professor.
![]() |
| Dialética. Fonte: Internet. |
As escolas de Pedagogia hoje formam professores para atuar, quase que exclusivamente, no ensino fundamental,uma área muito nobre e sem dúvidas importantíssima para nosso desenvolvimento educacional. Mas será que o pedagogo realmente queria ser um professor de ensino fundamental? Estes pedagogos-professores são polivalentes, pois misturam português, matemática e ciências num só bolo e ainda têm que ser docentes estudiosos de sua própria prática. Ah, trabalhando 60h semanais e ganhando somente para manter uma vida de classe média apertada. Esta é a vida de Pedagogo-professor-fundamental. Dá realmente pra fazer tudo isso e ser um ótimo professor? As probabilidades são contra, mas ainda temos alguns bons que se mantém na batalha. Outro caminho para o pedagogo é, se der muita sorte e continuar seus estudos, entrar para o ensino superior e viver um pouco melhor. É isso mesmo que queremos da Pedagogia? É isso mesmo que é a Pedagogia?
| Livro de Salman Khan - Fonte: Internet |
Como acho que nós da área de exatas e tecnológicas temos que conversar mais com os pedagogos de forma objetiva, ler, estudar, compreender mais novas técnicas e metodologias. Saber quem é Ausubel (obrigado, Profa. Luciana por me apresentar este psicólogo da educação), Freire, Cañas, Sweller, Salman Khan, Piaget etc.
Estou lendo agora a construção do conceito de tempo e espaço na criança, escrito por Piaget. Isto está me fazendo ver que conceitos que julgamos ser inatos não o são. Assim, o que seria "óbvio" pode não ser realmente. Será que o aluno com quem estou falando conseguiu desenvolver sua visão geométrica tridimencional por completo? Será que isso não influencia nos problemas que ele está tendo em fazer rotações de sólidos? Pensei nisso pois sempre gostei de Geometria Euclidiana e nunca me dei muito bem com a visão cartesiana da Geometria. Consegui provar a expressão (a +b)ˆ2 = aˆ2+2ab+bˆ2 usando triângulos retângulos. Isso para mim é divertido. Mas se tento abstrair para expressões algébricas, perco-me. Isso foi uma falha no meu desenvolvimento de visão abstrata (fase operatória-abstrata vista por Piaget). Neste caso, estou trabalhando para resolver este meu problema e me adaptar a uma nova forma de ver o mundo, a forma algébrica.
Então, caros leitores! Refuto minha afirmação inicial: Pedagogia serve sim, para muita coisa! Mas precisamos rever como ela está e conversar mais com pedagogos, "audaciosamente indo onde nenhum outro docente jamais foi" (parafraseando a frase final da abertura de Star Trek). :-)
Wellington Wagner
Professor de Sistemas e Mídias Digitais
sábado, 15 de junho de 2013
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Teoria de Tudo: Será Weinstein a superação de Einstein?
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sábado, 1 de junho de 2013
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Núcleo de átomo em formato de pera aponta para Nova Física: Assim como a maçã de Newton mudou nossa concepção do mundo, agora é a vez da pera cumprir seu papel na inauguração de uma Nova Física.
domingo, 18 de março de 2012
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