O medo dos seres humanos individual ou coletivamente domina muito de nossa vida social,
mas é o medo da Natureza que dá origem a Religião. (Russell, 2007)
Ele continua suas reflexões, mostrando que Espírito e Matéria são a mesma coisa: um constructo do pensamento humano para compreender a Natureza e a si mesmo. O espírito não seria imortal, mas emergiria da fisiologia humana, evoluindo com ela. A meu ver, o espírito para ele seria o “eu” humano, aquilo que nos faria diferentes de outros animais, mas não por isso, melhores ou dotados de imortalidade. Ele explica:
Deste mundo físico, em si mesmo desinteressante, o Homem é parte seu corpo, como qualquer outro tipo de matéria, é composto por elétrons e prótons, que até onde sabemos obedecem às mesmas leis a que se submetem animais e plantas. (Russell, 2007)
Nisto acreditava Russell, mas como um bom filósofo – mesmo sendo agnóstico e cético – não deixava de deixar uma margem para aceitar a questão da imortalidade do espírito e a existência de Deus. Para ele esta explicação seria menos interessante que as dada pela Ciência, aonde tais afirmações seriam falsas, no entanto, ao deveriam ser simplesmente ignoradas.
Creio que este seja o caminho: a resposta da Ciência não me parece suficiente e, por isso, creio que possa haver mais. Até porque a Ciência é um fenômeno histórico do homem e está se desenvolvendo, conforme o pensamento humano e o mundo criado pelo homem se desenvolve. Será que podemos negar todas as explicações dadas por cientistas da paranormalidade ou médiuns sobre os espíritos desencarnados? Creio que minha escolha por acreditar em tais fenômenos pudesse ser compreendida por Russell, pois ela é movida por minhas paixões. Não foi ele mesmo que afirmou que “a razão é e deveria ser escrava das paixões”? Para Russell a Razão procura os caminhos para os objetivos de nosso desejo. E em mim há o desejo de descobrir um pouco mais do Deus que sinto fazer parte de tudo. Não o deus cristão ou mulçumano mas a substância inteligente do universo. Não gosto da idéia de que poderemos encontrar este Deus nos aprofundando em nós mesmos. Esta perspectiva é por demais egocêntrica para mim. As coisas vivem em conjunto, são um todo relacionado. Precisamos ver este lado da natureza e principalmente do homem para podermos fazer uma melhor análise, lembrando que estes não são diferentes mas fazem parte da mesma coisa, a saber, das coisas existentes nesse universo. Pensar o ser humano é também ter que pensar a Natureza. É saber que o instrumento deste pensar é humano.
RUSSELL, B. No que acredito. Ed. L&PM Pocket, vol. 592, ISBN: 978-85-254-1601-9,2007.

