Cada dia é uma
luta sem tréguas para provar seu valor em uma sociedade machista, para garantir
seus direitos, adquiridos a duras penas, para mostrar que seu espaço na
história foi conquistado e não cedido por ninguém. Como cientistas, técnicas,
professoras, trabalhadoras em geral e empresárias; mães, filhas, irmãs, esposas
e amigas, são tantos os papéis e conquistas que não caberia em um só dia
homenagear as mulheres em nossa história. Só podemos usar este dia em especial
para lançarmos luz sobre as injustiças cometidas contra elas, pelo preconceito
velado ou explícito, pelas vitórias que não lhes foram atribuídas injustamente.
Este é um dia especial, que deve ser tomado como ponto de reflexão, mas não
deve ser o único, pois a luta das mulheres deve ser a nossa luta como sociedade
para termos um mundo melhor.
O Dia
Internacional da Mulher surge da luta, das manifestações, da voz de mulheres
aguerridas como Clara Zetkin, professora e jornalista alemã; surge da luta de
Alexandra Kollontai e suas companheiras que ganharam as ruas da Rússia czarista
procurando construir um mundo melhor. Nesta manifestação, nesta grande
manifestação de 8 de março de 1917, fica a data que hoje comemoramos. São 101
anos de luta? Na verdade, esta luta é muito anterior, vem desde que a primeira
mulher percebeu a opressão e as injustiças que lhe imputavam a sociedade onde
estava e resolveu se rebelar. O feminismo é rebeldia, contestação, busca
concreta de um mundo melhor, mais justo e igualitário. Um mundo onde Hipátia de
Alexandria e Hildegarda de Bigen figurariam como contribuintes expressivas da
Filosofia e não somente como nota de rodapé em livros de História da Filosofia.
Não teríamos medo de comentar e refletir sobre os textos de Simone de Beauvoir,
Edith Stein ou Rosa de Luxemburgo, pois seus pensamentos e ações só
demonstraram a grandiosidade de sua obra. Só o obscurantismo, retrógrado e
covarde, tem medo de ouvir as palavras de Ângela Davis, que nos mostram a luta
das mulheres negras, sua garra e sua força para mudar o que está aí, este mundo
tão desigual. Queria eu ter tido a coragem de Hannah Arendt ao escrever “Eichmann
em Jerusalém” e escancarar a “face comum e normal do mal”. É esta mesma face
que hoje diz não haver injustiças para com as mulheres, não haver exploração, não
haver distinção no mercado de trabalho. São “homens de bem” que muitas vezes
apregoam que a desigualdade e a injustiça são fruto de mentes revoltadas e
delirantes. Pois é com revolta que devemos nos debruçar sobre os problemas
desta sociedade humana decadente, é com força e determinação que devemos nos
aventurar a muda-la. E é, principalmente, com o sonho delirante de um mundo
melhor que devemos continuar a seguir lutando. Não somente as mulheres, mas
todos nós, feministas, antirracistas, antifascistas, lutadoras e lutadores que
buscam um mundo melhor.
Tantos nomes, tantas contribuições, tantas lutas
e tantas batalhas ainda por vencer. Não
existe mundo melhor sem feminismo! Não existe utopia com segregação!
