quinta-feira, 8 de março de 2018

Sobre o Dia Internacional da Mulher

Cada dia é uma luta sem tréguas para provar seu valor em uma sociedade machista, para garantir seus direitos, adquiridos a duras penas, para mostrar que seu espaço na história foi conquistado e não cedido por ninguém. Como cientistas, técnicas, professoras, trabalhadoras em geral e empresárias; mães, filhas, irmãs, esposas e amigas, são tantos os papéis e conquistas que não caberia em um só dia homenagear as mulheres em nossa história. Só podemos usar este dia em especial para lançarmos luz sobre as injustiças cometidas contra elas, pelo preconceito velado ou explícito, pelas vitórias que não lhes foram atribuídas injustamente. Este é um dia especial, que deve ser tomado como ponto de reflexão, mas não deve ser o único, pois a luta das mulheres deve ser a nossa luta como sociedade para termos um mundo melhor.
O Dia Internacional da Mulher surge da luta, das manifestações, da voz de mulheres aguerridas como Clara Zetkin, professora e jornalista alemã; surge da luta de Alexandra Kollontai e suas companheiras que ganharam as ruas da Rússia czarista procurando construir um mundo melhor. Nesta manifestação, nesta grande manifestação de 8 de março de 1917, fica a data que hoje comemoramos. São 101 anos de luta? Na verdade, esta luta é muito anterior, vem desde que a primeira mulher percebeu a opressão e as injustiças que lhe imputavam a sociedade onde estava e resolveu se rebelar. O feminismo é rebeldia, contestação, busca concreta de um mundo melhor, mais justo e igualitário. Um mundo onde Hipátia de Alexandria e Hildegarda de Bigen figurariam como contribuintes expressivas da Filosofia e não somente como nota de rodapé em livros de História da Filosofia. Não teríamos medo de comentar e refletir sobre os textos de Simone de Beauvoir, Edith Stein ou Rosa de Luxemburgo, pois seus pensamentos e ações só demonstraram a grandiosidade de sua obra. Só o obscurantismo, retrógrado e covarde, tem medo de ouvir as palavras de Ângela Davis, que nos mostram a luta das mulheres negras, sua garra e sua força para mudar o que está aí, este mundo tão desigual. Queria eu ter tido a coragem de Hannah Arendt ao escrever “Eichmann em Jerusalém” e escancarar a “face comum e normal do mal”. É esta mesma face que hoje diz não haver injustiças para com as mulheres, não haver exploração, não haver distinção no mercado de trabalho. São “homens de bem” que muitas vezes apregoam que a desigualdade e a injustiça são fruto de mentes revoltadas e delirantes. Pois é com revolta que devemos nos debruçar sobre os problemas desta sociedade humana decadente, é com força e determinação que devemos nos aventurar a muda-la. E é, principalmente, com o sonho delirante de um mundo melhor que devemos continuar a seguir lutando. Não somente as mulheres, mas todos nós, feministas, antirracistas, antifascistas, lutadoras e lutadores que buscam um mundo melhor.
Tantos nomes, tantas contribuições, tantas lutas e tantas batalhas ainda por vencer.  Não existe mundo melhor sem feminismo! Não existe utopia com segregação!