A história da humanidade não é um processo linear como nos diz a visão positivista de progresso ou a visão cíclica de História dos gregos. Podemos perceber, pelo senso comum, que as coisas mudam embora muitas situações políticas, econômicas e sociais pareçam se repetir. O filósofo alemão Hegel percebeu que a história da humanidade é um processo dialético, mudando a partir de forças internas que a impulsionam. Embora a vontade dos homens esteja ligada a este processo, em um determinando ponto, os homens que fazem a História são produzidos por ela também. Esta força impulsora para Hegel era o “Espírito” da História, a razão humana acima do próprio homem. Esta visão foi retomada e modificada por Marx, introduzindo como forma motora da História as relações de Produção. No entanto, ambos acreditavam que tal processo era dialético, ou seja, construído a partir do trinômio tese-antítese-síntese. Para Marx, o Modo de Produção Feudal produziu sua própria antítese, o Mercantilismo e ambos foram superados pela síntese, que viria a ser o Capitalismo Moderno. Note que elementos de ambos ainda permaneciam dentro do Capitalismo, no entanto, este Modo de Produção era diferente do Feudal. A História da Humanidade é dialética! A meu ver, o problema deste raciocínio de Marx está em duas questões básicas: ter tratado este comportamento histórico como uma lei natural e achar que sendo uma lei, poderia ser previsto o comportamento da História. Bem, infelizmente não é assim. A idéia de Ditadura do Proletariado e os Estados Comunistas não conseguiram sobrepujar o sistema Capitalista que parece se manter o mesmo, firme e forte...Mas será que realmente o Capitalismo é o mesmo? Não, ele não é! Ele se transformou e se adequou às novas realidades humanas. Este mesmo processo se dá na Educação.
Embora nosso modelo tradicional de ensino seja baseado naquele utilizado pelos Jesuítas, muita coisa mudou desde então. No entanto, a questão das aulas expositivas, do processo de “transferência” das informações e conhecimentos por parte dos professores para os alunos, e a estrutura hierárquica da escola se mantém muito próximo ao que era há 500 anos. Porém, este sistema de ensino, como o capitalismo, também mudou. Passou por um processo dialético-histórico e suas bases se mantiveram as mesmas. Assim, quando dizemos que queremos mudar algo que já está caduco, é um erro. Ele é novo e se fortalece a cada dia. Ele reproduz conhecimentos passados para as novas gerações, ele permite um controle ideológico, ele não propicia o crescimento de uma geração mais criativa, indagadora e autônoma. Ele serve muito bem aos interesses do Modo de Produção reinante. Portanto, no processo de síntese deste sistema educacional, estas características ainda são mantidas. Mesmo quando antíteses, como a visão Construtivista de aprendizagem ou modelos mais libertários como os propostos por Paulo Freire, chocam-se com a tese do ensino tradicional, há estrondos, há mudança, mas o ensino tradicional se mantém!
Isto não quer dizer que devemos cruzar os braços, muito pelo contrário. Apenas é um alerta para que saibamos contra quem estamos lutando e por que o fazemos. Eu luto contra o modelo tradicional de ensino porque gostaria de ver um modelo que incentivasse mais a criatividade e a autonomia nos seres humanos. Gostaria de fazer parte, como professor, de um processo de ensino-aprendizagem que libertasse os homens e mulheres, para que possamos construir um mundo melhor.
