domingo, 20 de setembro de 2009

Tecnologias Digitais e Educação

Oi, gente! De forma geral, creio que todos nós concordamos que a utilização das tecnologias de informação e comunicação são interessantes para nosso processo de ensino-aprendizagem, já que elas nos dão ferramentas e recursos que educadores e educandos podem utilizar na aprendizagem. Poderíamos não utilizá-las e termos ainda Educação? Creio que sim, e as sociedades que ainda não tem condições materiais de utilização das tecnologias digitais não me deixam mentir. Não se trata de precisarmos ou não delas, mas que elas existem e podem ser usadas. Creio que exista, como dito por Vygotsky, um potencial de aprendizado nos indivíduos que necessite de mediação para poder se concretizar e, neste sentido, nós como educadores devemos lançar mão de todos os recursos disponíveis -tecnológicos, inclusive - para que possamos ajudar neste processo. Além disso, também acredito que aprendamos utilizando ferramentas, quer sejam objetos quer seja a Linguagem, e neste sentido as novas tecnologias podem ser utilizadas no processo de aprendizagem para que possamos construir/criar novos conhecimentos. Como estas tecnologias estão a nossa volta, espalhadas em diversos ambientes e situações de nosso cotidiano, creio que não usá-las seria um desperdício, até porque elas nos permitem acessar informações que de outra forma seria muito difícil ou impossível. Saiu na semana passada uma notícia sobre a foto de uma estrutura atômica, o que nunca tinha sido feito, e que esta estrutura era similar ao modelo científico criado. Esta informação seria interessante para ser discutida com nossos alunos, no que diz respeito às concepções humanas de átomo e estruturas moleculares. Nisto, as tecnologias digitais podem nos ajudar! Elas não devem ser consideradas como fatores primordiais para a transformação da Educação, mas como novas ferramentas para o processo de ensino-aprendizagem.





L. Vygostky

domingo, 6 de setembro de 2009

Do modelo a realidade

Graças ao meu amigo Andrei "The Source" Bosco, soube de uma notícia esta semana que muito me alegrou. Pesquisadores da IBM em Zurique conseguiram fotografar a estrutura atômica de uma molécula orgânica (http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=34463&op=all). As imagens são surpreendentes, como visto na imagem abaixo.
E o que me deixou mais empolgado foi que o modelo da molécula realmente é similar a sua estrutura real. Como modelos são aproximações dos fenômenos estudados, comprovar empiricamente a relação entre ambos é importante para a validação de uma teoria. Infelizmente, muitos de nós acreditamos que vários modelos e teorias propostos por cientistas sejam uma "fotografia" da realidade, que não pode ser questionado. Foi assim, por exemplo, com a Teoria newtoniana da Gravidade. Tais temas são tratados em nossas escolas como verdades absolutas e levam nossos alunos, quando as compreendem, a aceitar tais definições como inquestionáveis, axiomáticas. Não deveria ser assim, estas teorias devem ser contextualizadas no tempo e na história humana, para que fique claro os pressupostos de sua criação e as influências culturais, sociais e econômicas sofridas por seus idealizadores. No caso de Newton, a influência da idéia de uma realidade previsível e baseada em causa-efeito norteou suas descobertas. Esta idéia era bem ilustrada nos relógios mecânicos que foram inventados nesta época e cuja utilização foi disseminada pelas grandes navegações. O Universo seria um "imenso relógio", para Newton. Esta seria a metáfora que impulsionou toda a Ciência do século XVII ao início do século XX. Mas esta visão determinista foi modificada pela teoria da Relatividade de Einstein e a Física Quântica de Bohr, Planck e Heisenberg, dentre outros. Assim, novos modelos e teorias foram criadas e pesquisas estão sendo feitas a cada dia para validá-las. Porém, este movimento e esta dinâmica da Ciência parece não chegar às nossas crianças e adolescentes nas escolas. Para muitos, o modelo atômico de Rutherford e Bohr ainda seria o mais correto para a estrutura do átomo, o que já se sabe há tempos que não é. Precisamos mudar isso! Precisamos introduzir os conceitos novos da Ciência e a visão de que esta é dinâmica. Por quanto tempo mais iremos evitar tratar de problemas modernos da Ciência por serem estes mais "complexos" do que as teorias clássicas? Será mesmo que tais conceitos são muito difíceis para serem trabalhados com nossas crianças? Creio que não e defendo que devamos discutir este novos temas nas escolas, de forma não matemática, num primeiro momento, e depois introduzindo conceitos matemáticos que possam ancorá-los. O problema não são os conceitos e sim as metodologias utilizadas para o processo de ensino-aprendizagem, além do próprio despreparo dos professores para tratar de tais assuntos.