domingo, 23 de agosto de 2009

O processo dialético da Educação: uma primeira reflexão

A história da humanidade não é um processo linear como nos diz a visão positivista de progresso ou a visão cíclica de História dos gregos. Podemos perceber, pelo senso comum, que as coisas mudam embora muitas situações políticas, econômicas e sociais pareçam se repetir. O filósofo alemão Hegel percebeu que a história da humanidade é um processo dialético, mudando a partir de forças internas que a impulsionam. Embora a vontade dos homens esteja ligada a este processo, em um determinando ponto, os homens que fazem a História são produzidos por ela também. Esta força impulsora para Hegel era o “Espírito” da História, a razão humana acima do próprio homem. Esta visão foi retomada e modificada por Marx, introduzindo como forma motora da História as relações de Produção. No entanto, ambos acreditavam que tal processo era dialético, ou seja, construído a partir do trinômio tese-antítese-síntese. Para Marx, o Modo de Produção Feudal produziu sua própria antítese, o Mercantilismo e ambos foram superados pela síntese, que viria a ser o Capitalismo Moderno. Note que elementos de ambos ainda permaneciam dentro do Capitalismo, no entanto, este Modo de Produção era diferente do Feudal. A História da Humanidade é dialética! A meu ver, o problema deste raciocínio de Marx está em duas questões básicas: ter tratado este comportamento histórico como uma lei natural e achar que sendo uma lei, poderia ser previsto o comportamento da História. Bem, infelizmente não é assim. A idéia de Ditadura do Proletariado e os Estados Comunistas não conseguiram sobrepujar o sistema Capitalista que parece se manter o mesmo, firme e forte...Mas será que realmente o Capitalismo é o mesmo? Não, ele não é! Ele se transformou e se adequou às novas realidades humanas. Este mesmo processo se dá na Educação.

Embora nosso modelo tradicional de ensino seja baseado naquele utilizado pelos Jesuítas, muita coisa mudou desde então. No entanto, a questão das aulas expositivas, do processo de “transferência” das informações e conhecimentos por parte dos professores para os alunos, e a estrutura hierárquica da escola se mantém muito próximo ao que era há 500 anos. Porém, este sistema de ensino, como o capitalismo, também mudou. Passou por um processo dialético-histórico e suas bases se mantiveram as mesmas. Assim, quando dizemos que queremos mudar algo que já está caduco, é um erro. Ele é novo e se fortalece a cada dia. Ele reproduz conhecimentos passados para as novas gerações, ele permite um controle ideológico, ele não propicia o crescimento de uma geração mais criativa, indagadora e autônoma. Ele serve muito bem aos interesses do Modo de Produção reinante. Portanto, no processo de síntese deste sistema educacional, estas características ainda são mantidas. Mesmo quando antíteses, como a visão Construtivista de aprendizagem ou modelos mais libertários como os propostos por Paulo Freire, chocam-se com a tese do ensino tradicional, há estrondos, há mudança, mas o ensino tradicional se mantém!

Isto não quer dizer que devemos cruzar os braços, muito pelo contrário. Apenas é um alerta para que saibamos contra quem estamos lutando e por que o fazemos. Eu luto contra o modelo tradicional de ensino porque gostaria de ver um modelo que incentivasse mais a criatividade e a autonomia nos seres humanos. Gostaria de fazer parte, como professor, de um processo de ensino-aprendizagem que libertasse os homens e mulheres, para que possamos construir um mundo melhor.


2 comentários:

  1. Pois então. Vou comentar um pouquinho de Hegel já que marx me é muito estranho. E trato de um pedacinho de Hegel. "A história universal nada mais é do que a manifestação da razão". Essa razão que impulsiona a história é que me parece algo muito crítico. Como escreveste, o processo de construção na verdade é muito mais recheado de subjetividades não declaradas do que da razão em si ou da lógica de produção. O campo das subjetividades me parece uma esécie de alimento destas intenções e guia nossas argumentações em níveis estremamente poderosos. Nós somos uma construção hiostórica, mas onde construímos? Será que nos emparedamos vivos como em um filme de terror? Que possibilidades deizamos de experimentar sob a influência do argumento das possiveis instabilidades que gerarríamos? Concordo que tudo muda, mas infelizmente não conseguimos romper co muitos paradigmas éticos que estão por baixo destas questões. Poder é um deles. Sobrevivência. Manutenção de status... Na verdade penso que muitos de nós professores ridicularizam os adolescentes e aqueles que querem não só uma mudança, mas uma rejeição radical de paradigma. Nós os depreciamos, afirmamos suas imaturidades e consolidamos nossa postura cômoda de mudar aos poucos, sem radicalismos controlados. Afinal existem éticas que são muito superiores a história, ao sujeito e as próprias relações. Por isso, acredito que Hegel tenha alguma razão ou subjetividade quando afirma que Deus se realiza naquele momento específico da hiostória em que ele é modelado de acordo com as necessidades. Repaginando o divino, repaginamos o capital, a educa~~ao, os professores e os sujeitos. Mais grave repaginamos as relações de uma forma tão convinvente que elas parecem outras.

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  2. " Naturalmente, el ser humano es complicado y todo lo que a él se refiere es complicado. Lo que en teoría es muy claro, en la práctica da lugar a conflictos y contradicciones. En este caso las zonas conflictivas son dos: una es la zona de las costumbres heredadas y siempre en proceso de transformación (en este momento en transformación rapidísima) y la otra es la de los instintos individuales.

    La primera comprende los tabúes ligados a supersticiones o a intereses de grupos sociales dominantes, tabúes que tradicionalmente se han disfrazado de preceptos éticos (por esto se dice que la ética cambia de una época a otra). Pertenecen a esta categoría las reglas relacionadas con la familia y el matrimonio y, en general, con lo sexual, entre las que quedan en el ámbito de la ética las que se pueden identificar con el precepto citado: "Compórtate hacia los demás como quisieras que los demás se comportaran hacia ti" y, en este caso, se reducen a dos deberes de la pareja: la sinceridad recíproca y la asunción por ambos de la responsabilidad hacia los hijos. Esto último podría sintetizarse así: "Compórtate hacia tus hijos como quisieras que tus padres se hubieran comportado hacia ti".
    La otra zona conflictiva -decíamos- es la de los instintos, cuya fuerza a veces puede hacer entrar en crisis el ejercicio de la libertad personal, condición necesaria para el juicio ético.
    Esa libertad debe ser entendida siempre dentro del principio general de que hablábamos ("Compórtate hacia los demás como quisieras…") y que implica igualdad.

    En efecto, si entendiéramos por ejercicio de la libertad el poder hacer en forma irrestricta lo que nos apetece en cada momento, siguiendo solo el impulso expansionista y avasallador que es un aspecto del instinto vital, pronto entraríamos en conflicto con los demás que no quieren ser avasallados y tienen derecho a no ser avasallado por su condición de seres humanos. Si todos dieran rienda suelta a sus instintos, toda vida social sería destruida y con ella nuestra libertad, pues el hombre es un ser social y, si está solo, no es libre, sino esclavo de sus necesidades primarias, que la colectividad socialmente organizada le ayuda a satisfacerse su pan, construirse su casa, tejerse y coserse la ropa, enseñar a leer y a escribir a sus hijos, cuidarlos en sus enfermedades… El intercambio de estos servicios y de otros más sofisticados da lugar actualmente, gracias al poder y al derecho de propiedad, a las enormes injusticias, contra las que los socialistas (tomando la palabra en su sentido amplio) estamos combatiendo a partir de la Revolución Francesa y seguimos combatiendo ahora que las tendencias autoritarias del socialismo han fracasado."Fabbri Bem, me alonguei demais depois continuo. Mas acredito que devemos exercitar o rompimento radical com os paradigmas antigos e pensar, mesmo que sem conceguir, criar algo novo em uma lógica nova. Avante Qixotes, que os moinhos, drações imaginários por vezes acabam nos derrubando. Seriam elas dragões?

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