domingo, 6 de setembro de 2009

Do modelo a realidade

Graças ao meu amigo Andrei "The Source" Bosco, soube de uma notícia esta semana que muito me alegrou. Pesquisadores da IBM em Zurique conseguiram fotografar a estrutura atômica de uma molécula orgânica (http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=34463&op=all). As imagens são surpreendentes, como visto na imagem abaixo.
E o que me deixou mais empolgado foi que o modelo da molécula realmente é similar a sua estrutura real. Como modelos são aproximações dos fenômenos estudados, comprovar empiricamente a relação entre ambos é importante para a validação de uma teoria. Infelizmente, muitos de nós acreditamos que vários modelos e teorias propostos por cientistas sejam uma "fotografia" da realidade, que não pode ser questionado. Foi assim, por exemplo, com a Teoria newtoniana da Gravidade. Tais temas são tratados em nossas escolas como verdades absolutas e levam nossos alunos, quando as compreendem, a aceitar tais definições como inquestionáveis, axiomáticas. Não deveria ser assim, estas teorias devem ser contextualizadas no tempo e na história humana, para que fique claro os pressupostos de sua criação e as influências culturais, sociais e econômicas sofridas por seus idealizadores. No caso de Newton, a influência da idéia de uma realidade previsível e baseada em causa-efeito norteou suas descobertas. Esta idéia era bem ilustrada nos relógios mecânicos que foram inventados nesta época e cuja utilização foi disseminada pelas grandes navegações. O Universo seria um "imenso relógio", para Newton. Esta seria a metáfora que impulsionou toda a Ciência do século XVII ao início do século XX. Mas esta visão determinista foi modificada pela teoria da Relatividade de Einstein e a Física Quântica de Bohr, Planck e Heisenberg, dentre outros. Assim, novos modelos e teorias foram criadas e pesquisas estão sendo feitas a cada dia para validá-las. Porém, este movimento e esta dinâmica da Ciência parece não chegar às nossas crianças e adolescentes nas escolas. Para muitos, o modelo atômico de Rutherford e Bohr ainda seria o mais correto para a estrutura do átomo, o que já se sabe há tempos que não é. Precisamos mudar isso! Precisamos introduzir os conceitos novos da Ciência e a visão de que esta é dinâmica. Por quanto tempo mais iremos evitar tratar de problemas modernos da Ciência por serem estes mais "complexos" do que as teorias clássicas? Será mesmo que tais conceitos são muito difíceis para serem trabalhados com nossas crianças? Creio que não e defendo que devamos discutir este novos temas nas escolas, de forma não matemática, num primeiro momento, e depois introduzindo conceitos matemáticos que possam ancorá-los. O problema não são os conceitos e sim as metodologias utilizadas para o processo de ensino-aprendizagem, além do próprio despreparo dos professores para tratar de tais assuntos.



Um comentário:

  1. É isso aí professor, já passou da hora de mostrar um pouco do que É ciência e não um monte de equações que pra um aluno que detesta matemática não significam nada, pois o contexto histórico e fenomenológico da coisa está distante demais dos estudantes.

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