A utilização de Ambientes Virtuais de Aprendizagem e de outros software aplicados a Educação – especificamente na modalidade a Distância -, no âmbito das instituições de ensino e nas empresas está crescendo cada vez mais (TRIFONOVA et al., 2003), para atender as novas necessidades dos aprendizes e responder às mudanças tecnológicas que estão modificando o cenário sócio-econômico mundial. Estas mudanças são chamadas por Belloni (2001) de pós-fordismo.
Da mesma forma que as tecnologias de Informação, cresceu nos últimos tempos o uso intensivo e diversificado das tecnologias de Comunicação, fazendo com que as pessoas estejam acessíveis em qualquer lugar e a qualquer hora. A fusão destas duas áreas fez surgir o cenário atual de redes Telemáticas. Estas redes modificaram o ritmo de vida das pessoas e levaram à necessidade cada vez maior de acesso a informação mesmo estando fora de suas instituições de trabalho ou estudo, ou ainda, em trânsito. Tecnologias como o celular e o PDA, dentre outros dispositivos móveis, são respostas a estes novos anseios. Assim como aconteceu com outras tecnologias que afetaram o cenário educacional, como é o caso dos computadores, estes dispositivos móveis também estão afetando a maneira como se faz Educação e trazendo novas ferramentas que possibilitam o processo de aprendizagem, tanto presencialmente quanto a distância. A utilização de dispositivos móveis para o processo de aprendizagem é denominada Aprendizagem através de Dispositivos Móveis, ou ainda, M-Learning (do inglês, Mobile Learning) (TRIFONOVA, 2003). Embora o M-Learning possa ser associado à Educação a Distância, o mesmo não se reduz somente a esta modalidade educacional, podendo ser utilizado como ampliação e melhoria da Educação Presencial. No entanto, é preciso desenvolver um senso crítico sobre a utilização destas tecnologias no processo educacional, pois estas não podem ser vistas como uma “tábua de salvação” para o processo de Educação deficitário que hoje é realidade no Brasil, mas pode, se racionalmente utilizado, contribuir para melhoria no processo de aprendizagem, como comentado por Castro (2001, p. 17-19). Neste contexto, pode-se levantar a questão concernente ao atual paradigma educacional – tanto presencial quanto a distância - que não se mostra a contento no processo de desenvolvimento do referido senso crítico quanto ao uso de tecnologia, haja vista a torrente de compras de dispositivos eletrônicos de comunicação, processamento e/ou armazenamento de dados pessoais, vista hoje, tanto no Brasil quanto no mercado mundial (BELLONI, 2001-B), e cujo potencial é, normalmente, subutilizado por seus consumidores. Este consumismo acaba sendo refletido nas instituições educacionais que adotam novas Tecnologias de Informação e Comunicação, baseando-se, principalmente, no fato de serem aparatos tecnológicos atuais, e não em virtude de um planejamento pedagógico-didático prévio que deveria nortear, a priori, o uso de tais recursos. Tal prática já se mostrou ineficaz no passado (Castro, 2001, p. 156-157, 168-170) e continua sendo agora.
Bibliografia
BELLONI, M. L. Educação a Distância. Segunda Edição. Editora Autores Associados, 2001-A.
BELLONI, M. L.O que é Mídia-Educação. Coleção Polêmicas do Nosso Tempo, Editora Autores Associados, 2001-B.
CASTRO, C. de M. (Org.). Educação na Era da Informação: o que funciona e o que não funciona. Livro publicado em conjunto pela Seção de Publicação do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e pela UniverCidade Editora, ISBN: 85-7439-013-5, 2001.
TRIFONOVA, A. Mobile Learning – Review of the Literature. Relatório técnico (DIT-03-009) publicado pelo Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação da Universidade de Trento, Itália, Março, 20030-B. Disponível em: . Acesso em: 31 de outubro de 2005.


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