domingo, 18 de outubro de 2009
O que nos faz Humanos? (Parte I)
Assim, continua a pergunta original: O que nos faz Humanos? Para abordar este tema daremos início a uma série de entrevistas com especialistas em áreas que envolveriam o estudo de características humanas, como a Inteligência, o Aprendizado e a Mente.
Nesta primeira entrevista, conversaremos com o Prof. Robson Loureiro, da Universidade Federal do Ceará, sobre o processo de aprendizagem dos seres humanos.
TTB: Seja bem-vindo ao nosso Blog, Prof. Robson Loureiro. Para muitos filósofos e cientistas ocidentais a capacidade de aprendizado do ser humano é ímpar. Esta propriedade ou faculdade faria do ser humano o que ele é. Você acha que o Aprender nos define como Humanos?
Robson: ACREDITO QUE MUITOS INDICADORES NOS GARANTEM A HUMANIDADE. A APRENDIZAGEM É UM DELES. NO SENTIDO BIOLÓGICO AS NOSSAS ESTRUTURAS NOS AUXILIAM A APRENDER DENTRO DAS CONCEITUAÇÕES QUE TEMOS HOJE PARA ESSE FENÔMENO. cONTUDO, NÃO ACREDITO QUE SE POSSA AFIRMAR QUE APRENDER NOS TORNA MAIS OU MENOS HUMANOS EM SENTIDOS BEM MAIS SUBJETIVOS, COMO POR EXEMPLO A ÉTICA E A CONSCIÊNCIA DO QUE IREMOS FAZER COM AQUILO QUE APRENDEMOS. ENTENDO HUMANIDADE, DE FORMA MUITO MAIS SIGNIFICATIVA, SOB ESTE ASPECTO DE CUIDADO COM O OUTRO, DE AFASTAMENTO DE NOSSAS AÇÕES VISCERAIS, DE CONSCIÊNCIA, DE COOPERAÇÃO E DE COLABORAÇÃO.
TTB: Aprender poderia ser definido como a construção ou aquisição de conhecimentos novos. Na sua opinião, como nós seres humanos conhecemos as coisas? Este processo é próprio dos seres humanos?
Robson: NÃO CREIO QUE APRENDER SEJA UNICAMENTE A AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO. ACHO QUE ESTAS SITUAÇÕES SÃO MAIS COMPLEXAS E NÃO PODEM SER DEFINIDAS ATRAVÉS DE UM UNICO INDICADOR. ACHO QUE A HUMANIDADE CONHECE AS COISAS NA MEDIDA EM QUE INTERAGE COM ELAS E AS COMPREENDE. ESTA COMPREESÃO NÃO É APENAS INDIVIDUAL, MAS UMA COMPREENSÃO QUE UNE O INDIVIDUAL E O COLETIVO, ACHO QUE A PERSPECTIVA DE QUE APRENDIZAGEM É INDIVIDUAL NÃO SE COMPLETA. DE ALGUMA FORMA SOU LEVADO A ACERDITAR QUE APRENDIZAGEM TEM UMA NATUREZA INDIVIDUAL E COLETIVA.
TTB: Há algum tempo tive a oportunidade de conversar com você sobre as mudanças na escola e falastes que a verdadeira transformação dos seres Humanos deverá ser Ética. Como a Ética poderia se relacionar com o aprendizado? Será que a Ética nos faria Humanos, então?
Robson: NÃO SÓ A ÉTICA. SOMOS SERES TRAMADOS EM ELEMENTOS BIOLÓGICOS, EMOCIONAIS PSÍQUICOS, SOCIAIS E SABE LÁ QUANTOS OUTROS. IMAGINE QUE VOCÊ SE AFASTASSE DO PARADIGMA DE QUE AS CONSTRUÇÕES DE UM ORGANISMO SÃO SÓ DELE. IMAGINE QUE NÃO SE PUDESSE SEPARAR O SER HUMANO DOS SERES HUMANOS, QUE NÓS NÃO TIVESSEMOS UMA PELE E QUE O HUMANO É COMPOSTO DE MUITOS CORAÇÕES E MUITOS CÉREBROS E MUITOS ... ACHO QUE QUANDO NOS APROXIMAMOS DESTA NOÇÃO DE QUE NÃO ESTAMOS SÓS E NÃO CONSEGUIRIAMOS ESTAR SOZINHOS, QUE AS NOSSAS ENERGIAS TRANSCENDEM A NOSSA PELE ENTÃO OS FENÔMENOS ATRÍBUÍDOS A UMA MULHER SÓ OU A UM HOMEM SÓ NÃO TERÍAM SENTIDO SE NÃO FOSSEM, DE ALGUMA FORMA COMPREENDIDOS E TRAMADOS COM OS OUTROS. NOS SÓ PENSAMOS QUE SOMOS INDIVÍDUOS, MAS NOSSO SISTEMA, AINDA QUE MUITO REGULADO É ABERTO E INTERAGE DIRETO COM FORÇÃS PSÍQUICAS, COM O AR, COM AS IDÉIAS DOS OUTROS E ETC. NO ENTANTO, NOSSA EDUCAÇÃO É UM EXEMPLO DE TENTATIVA DE CONSTRUÇÃO DE INDIVÍDUOS MELHORES E, SE PENSA QUE A SOMA DE INDIVÍDUOS MELHORES RESULTARIA EM UMA COLETIVIDADE MELHOR. BEM, ISTO NÃO ESTÁ OCORRENDO. COMO SERIA SE A EDUCAÇÃO PROCURASSE FORMAR COLETIVIDADES MELHORES?
TTB: Você gostaria de fazer algum comentário final?
Robson: NÃO, ACHO QUE FOI LEGAL
TTB: Obrigado por sua participação e suas reflexões.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
A Educação e os Esportes Radicais
domingo, 20 de setembro de 2009
Tecnologias Digitais e Educação

domingo, 6 de setembro de 2009
Do modelo a realidade
domingo, 23 de agosto de 2009
O processo dialético da Educação: uma primeira reflexão
A história da humanidade não é um processo linear como nos diz a visão positivista de progresso ou a visão cíclica de História dos gregos. Podemos perceber, pelo senso comum, que as coisas mudam embora muitas situações políticas, econômicas e sociais pareçam se repetir. O filósofo alemão Hegel percebeu que a história da humanidade é um processo dialético, mudando a partir de forças internas que a impulsionam. Embora a vontade dos homens esteja ligada a este processo, em um determinando ponto, os homens que fazem a História são produzidos por ela também. Esta força impulsora para Hegel era o “Espírito” da História, a razão humana acima do próprio homem. Esta visão foi retomada e modificada por Marx, introduzindo como forma motora da História as relações de Produção. No entanto, ambos acreditavam que tal processo era dialético, ou seja, construído a partir do trinômio tese-antítese-síntese. Para Marx, o Modo de Produção Feudal produziu sua própria antítese, o Mercantilismo e ambos foram superados pela síntese, que viria a ser o Capitalismo Moderno. Note que elementos de ambos ainda permaneciam dentro do Capitalismo, no entanto, este Modo de Produção era diferente do Feudal. A História da Humanidade é dialética! A meu ver, o problema deste raciocínio de Marx está em duas questões básicas: ter tratado este comportamento histórico como uma lei natural e achar que sendo uma lei, poderia ser previsto o comportamento da História. Bem, infelizmente não é assim. A idéia de Ditadura do Proletariado e os Estados Comunistas não conseguiram sobrepujar o sistema Capitalista que parece se manter o mesmo, firme e forte...Mas será que realmente o Capitalismo é o mesmo? Não, ele não é! Ele se transformou e se adequou às novas realidades humanas. Este mesmo processo se dá na Educação.
Embora nosso modelo tradicional de ensino seja baseado naquele utilizado pelos Jesuítas, muita coisa mudou desde então. No entanto, a questão das aulas expositivas, do processo de “transferência” das informações e conhecimentos por parte dos professores para os alunos, e a estrutura hierárquica da escola se mantém muito próximo ao que era há 500 anos. Porém, este sistema de ensino, como o capitalismo, também mudou. Passou por um processo dialético-histórico e suas bases se mantiveram as mesmas. Assim, quando dizemos que queremos mudar algo que já está caduco, é um erro. Ele é novo e se fortalece a cada dia. Ele reproduz conhecimentos passados para as novas gerações, ele permite um controle ideológico, ele não propicia o crescimento de uma geração mais criativa, indagadora e autônoma. Ele serve muito bem aos interesses do Modo de Produção reinante. Portanto, no processo de síntese deste sistema educacional, estas características ainda são mantidas. Mesmo quando antíteses, como a visão Construtivista de aprendizagem ou modelos mais libertários como os propostos por Paulo Freire, chocam-se com a tese do ensino tradicional, há estrondos, há mudança, mas o ensino tradicional se mantém!
Isto não quer dizer que devemos cruzar os braços, muito pelo contrário. Apenas é um alerta para que saibamos contra quem estamos lutando e por que o fazemos. Eu luto contra o modelo tradicional de ensino porque gostaria de ver um modelo que incentivasse mais a criatividade e a autonomia nos seres humanos. Gostaria de fazer parte, como professor, de um processo de ensino-aprendizagem que libertasse os homens e mulheres, para que possamos construir um mundo melhor.
sábado, 22 de agosto de 2009
Descobrindo os potenciais de busca no Gmail
Para mais dicas, leiam o artigo "Using advanced search" no endereço http://mail.google.com/support/bin/answer.py?hl=en&answer=7190.
domingo, 16 de agosto de 2009
Parece até coisa de ficção...
Segundo notícia da Newsweek, as forças armadas americanas estão utilizando ipod touch e iphone para diversas finalidades, como acesso a mapas, trajetórias, tradutores e, claro, comunicação por voz e vídeo. Também nos EUA, várias universidades estão usando estes gadgets da Apple com seus alunos, para informações sobre disciplinas, comunicação entre alunos e professores e acesso a conteúdos. É o Mobile Learning (m-Leaning) ganhando cada vez mais espaço!
Estas iniciativas futuristas estão transformando o nosso presente em um "filme de ficção científica". Você não se sente fazendo parte de um mundo como em "Eu, robô" ou "Minority Report"? Eu estou me sentindo e, claro, tentando ser o mais crítico possível neste processo, pois acho que tecnologia não é sinônimo de "um mundo melhor". Porém, fico intrigado e esperançoso com este brave new world que nem Aldous Huxley poderia imaginar.
P.S.: Quero agradecer ao meu amigo Andrei The Geek Bosco pela dica com o MAV-VUE! Valeu, Andrei!
domingo, 9 de agosto de 2009
O capitão está no holodeck!
Há até bem pouco tempo, falar de holografia sólida seria somente um papo entre nerds apreciadores de ficção científica, como eu :-). No entanto, pesquisas atuais feitas pela Universidade de Tóquio estão avançando rumo a criar de fato tal recurso tecnológico. Os pesquisadores Takayuki Hoshi, Masafumi Takahashiy, Kei Nakatsumaz, Hiroyuki Shinoda apresentaram um artigo sobre holografias que permitem ser tocadas, no SIGGRAPH 2009.O artigo, intitulado Touchable Holography, descreve a experiência do grupo de pesquisadores sobre a criação de um sistema que permite a projeção de hologramas, o mapeamento da interação com estes - permitindo "tocá-los" - e um sistema de resposta tátil para o processo de interação com estes hologramas. O feedback para a ação de tocar uma imagem holográfica é feito através de ultra-som. A idéia é fantástica e abre possibilidade para criarmos ambientes interativos de experiência virtual. Imagine poder ver e interagir com um modelo virtual de seu futuro apartamento, antes que ele exista. Ou poder fazer experiências com física nuclear, em um laboratório virtual, tendo uma interação mais próxima do real. Não é interessante? Bem, vamos acompanhar estas pesquisas e ver se chegaremos, finalmente, no Holodeck da Enterprise num futuro não muito distante :-).
Engenharia de Software não é Engenharia Civil
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
e-Book Reader brasileiríssimo
Para aqueles que estavam injuriados com o fato dos leitores de livros eletrônicos (e-book readers), como o Amazon Kindle e o Sony Reader, não serem vendidos em nosso querido país, eis uma notícia fantástica: nós temos um leitor tupiniquim! É isto mesmo, as empresas pernambucanas Mix Tecnologia e Carpe Diem Edições e Produções criaram um reader - chamado Mix Leitor D - e deverão comercializá-lo a partir do próximo ano.
Você sabe quais são as vantagens de um aparelhinho como este?
Bem, primeiramente pense num dispositivo que não lhe cansa a vista quando você está lendo um livro eletrônico nele, permite que você possa fazer seleção de trechos e ainda consultar o dicionário para saber o significado de uma dada palavra. Tudo isso em um equipamento pequeno – do tamanho de um livro – leve e prático. Pois é, estes são os e-Book Readers. Todos eles utilizam uma tecnologia desenvolvida no MIT, chamada e-Link, que utiliza pequenas cápsulas ativadas eletricamente para formação das letras e imagens. Esta “tinta eletrônica” cansa muito menos que o CRT ou o LCD, usados em nossos computadores atuais. E mantém uma nitidez invejável, mesmo em ambiente muito iluminado, como uma praia. É muito interessante. Dois dos exemplos de peso destes equipamentos são o Amazon Kindle DX e o Sony Reader PRS-700. Ambos utilizam tecnologia para baixar os livros através de comunicação wireless celular - no caso do Kindle é através da operadora Spring. Ambos os aparelhos possuem conexão cabeada através de interface USB. Infelizmente todos eles só são vendidos nos EUA, embora o Kindle comece a ser vendido por uma livraria inglesa que deverá fornecer este produto para o mercado brasileiro. Sua faixa de preço é entre US$ 300,00 a US$ 489,00.
Quanto ao Mix Leitor D, ele pode acessar a Internet para fazer o download dos livros - coisa que os concorrentes estrangeiros não possuem - além de possuir um recurso chamado Interquiz que fornece ao usuário questões, respostas e comentários sobre assuntos que forem consultados. Seu valor deverá ser de R$ 650,00 (Básico) e R$ 1.100,00 (Premium).
Para saber mais: Reportagem da PC Magazine
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Filosofia se faz filosofando
Fico contente com esta nova tendência que tenta mostrar a Filosofia sem o jargão técnico. Será que eu preciso mesmo conhecer as palavras devenir ou dialética para entender que o mundo e nós mesmos estamos em um eterno mudar? Exercitar o ato de questionar, refletir sobre as coisas e as pessoas, tentar entender o mundo e o que fazemos nele, isto sempre foi o que me impulsionou a gostar de Filosofia e a ler aqueles que pensaram sobre tais questões.
Bem, fiquemos por aqui neste instante. Vejamos um pouco da filosofia-do-humor do grupo inglês Monty Python logo abaixo. Espero que não sejamos os filósofos que preferem o som de suas próprias palavras, ao mundo que os cerca e a ação sobre este mundo. Creio que Arquimedes preferiu a ação e por isso marcou um gol! :-) Ah, você conhece algum destes filósofos citados no vídeo do Monty Python?
Manifesto de Repúdio ao Ódio (Ir)Raci(on)al para com as Linguagens de Programação
Mas veio "The Dark Age", quando os programadores passaram a se comportar como "evangelizadores" e as linguagens e tecnologias tornaram-se seus novos credos. "Você é JEE ou .Net? Cuidado com sua resposta pois isto pode lhe custar a vida", dizem os novos profetas digitais. "Você usa Visual Studio ou Eclipse?", se você estiver no círculo acadêmico, você pode ser apedrejado se responder a primeira opção. Caso esteja em algum workshop da Microsoft, a segunda resposta pode ser motivo de linchamento. Detalhe, provavelmente um lado só conheça bem a tecnologia que usa e, por isso, acha que deve se comportar como se estivesse em uma torcida uniformizada de futebol, onde o outro time é sempre ruim. Não é bem assim, gente! Não deve ser bem assim. Gosto do movimento Open Source do Richard Stallman, gosto mesmo, acho que ele tá certo em muitas coisas, mas ainda não não estou a fim de discutir tecnologia como credo e sim como tec-no-lo-gi-a, entende. Adoro saber as novidades do Actionscript com meus amigos Lima Jr e Rafael Dourado ou os potenciais do .Net com minha esposa. Gosto de saber programar para dispositivos móveis usando JME, mas tava de olho no Objective-C para usar nos iPhones. Fiquei sabendo pela minha amiga Manu que Phyton é muito legal e vou experimentar. Veja, vou "experimentar" para saber se gosto ou não, se é bom ou não. Se me serve ou não.
Era isso que estava preso em minha garganta há tempos e eu queria falar! Esta é a mensagem de alguém que esteve vivo para ver Sun Microsystem e IBM falarem de código aberto e compartilhar código :-). Bem, paz para os "javeiros" e "c-sharpistas" do mundo todo!
Pois é...estamos na web 2.0 agora!
Abertura do Pinky e o Cérebro
