domingo, 18 de outubro de 2009

O que nos faz Humanos? (Parte I)



O que nos faz Humanos? Que diferenças podemos notar em nós que nos distinguiria de outros animais em nosso mundo? A Genética nos mostra que nossa herança física, o DNA, nos distingue em pouco menos de 2% dos nossos primos os Chimpanzés (http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid322209,0.htm - http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u7277.shtml - http://revistagalileu.globo.com/EditoraGlobo/componentes/article/edg_article_print/1,3916,516782-1719-2,00.html). Mas eles não conseguiram criar a Filosofia, descobrir as leis da Física ou mesmo pintar um quadro como "Starry Night" (Van Gogh).
Assim, continua a pergunta original: O que nos faz Humanos? Para abordar este tema daremos início a uma série de entrevistas com especialistas em áreas que envolveriam o estudo de características humanas, como a Inteligência, o Aprendizado e a Mente.

Nesta primeira entrevista, conversaremos com o Prof. Robson Loureiro, da Universidade Federal do Ceará, sobre o processo de aprendizagem dos seres humanos.


TTB: Seja bem-vindo ao nosso Blog, Prof. Robson Loureiro. Para muitos filósofos e cientistas ocidentais a capacidade de aprendizado do ser humano é ímpar. Esta propriedade ou faculdade faria do ser humano o que ele é. Você acha que o Aprender nos define como Humanos?

Robson: ACREDITO QUE MUITOS INDICADORES NOS GARANTEM A HUMANIDADE. A APRENDIZAGEM É UM DELES. NO SENTIDO BIOLÓGICO AS NOSSAS ESTRUTURAS NOS AUXILIAM A APRENDER DENTRO DAS CONCEITUAÇÕES QUE TEMOS HOJE PARA ESSE FENÔMENO. cONTUDO, NÃO ACREDITO QUE SE POSSA AFIRMAR QUE APRENDER NOS TORNA MAIS OU MENOS HUMANOS EM SENTIDOS BEM MAIS SUBJETIVOS, COMO POR EXEMPLO A ÉTICA E A CONSCIÊNCIA DO QUE IREMOS FAZER COM AQUILO QUE APRENDEMOS. ENTENDO HUMANIDADE, DE FORMA MUITO MAIS SIGNIFICATIVA, SOB ESTE ASPECTO DE CUIDADO COM O OUTRO, DE AFASTAMENTO DE NOSSAS AÇÕES VISCERAIS, DE CONSCIÊNCIA, DE COOPERAÇÃO E DE COLABORAÇÃO.

TTB: Aprender poderia ser definido como a construção ou aquisição de conhecimentos novos. Na sua opinião, como nós seres humanos conhecemos as coisas? Este processo é próprio dos seres humanos?

Robson: NÃO CREIO QUE APRENDER SEJA UNICAMENTE A AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO. ACHO QUE ESTAS SITUAÇÕES SÃO MAIS COMPLEXAS E NÃO PODEM SER DEFINIDAS ATRAVÉS DE UM UNICO INDICADOR. ACHO QUE A HUMANIDADE CONHECE AS COISAS NA MEDIDA EM QUE INTERAGE COM ELAS E AS COMPREENDE. ESTA COMPREESÃO NÃO É APENAS INDIVIDUAL, MAS UMA COMPREENSÃO QUE UNE O INDIVIDUAL E O COLETIVO, ACHO QUE A PERSPECTIVA DE QUE APRENDIZAGEM É INDIVIDUAL NÃO SE COMPLETA. DE ALGUMA FORMA SOU LEVADO A ACERDITAR QUE APRENDIZAGEM TEM UMA NATUREZA INDIVIDUAL E COLETIVA.

TTB: Há algum tempo tive a oportunidade de conversar com você sobre as mudanças na escola e falastes que a verdadeira transformação dos seres Humanos deverá ser Ética. Como a Ética poderia se relacionar com o aprendizado? Será que a Ética nos faria Humanos, então?

Robson: NÃO SÓ A ÉTICA. SOMOS SERES TRAMADOS EM ELEMENTOS BIOLÓGICOS, EMOCIONAIS PSÍQUICOS, SOCIAIS E SABE LÁ QUANTOS OUTROS. IMAGINE QUE VOCÊ SE AFASTASSE DO PARADIGMA DE QUE AS CONSTRUÇÕES DE UM ORGANISMO SÃO SÓ DELE. IMAGINE QUE NÃO SE PUDESSE SEPARAR O SER HUMANO DOS SERES HUMANOS, QUE NÓS NÃO TIVESSEMOS UMA PELE E QUE O HUMANO É COMPOSTO DE MUITOS CORAÇÕES E MUITOS CÉREBROS E MUITOS ... ACHO QUE QUANDO NOS APROXIMAMOS DESTA NOÇÃO DE QUE NÃO ESTAMOS SÓS E NÃO CONSEGUIRIAMOS ESTAR SOZINHOS, QUE AS NOSSAS ENERGIAS TRANSCENDEM A NOSSA PELE ENTÃO OS FENÔMENOS ATRÍBUÍDOS A UMA MULHER SÓ OU A UM HOMEM SÓ NÃO TERÍAM SENTIDO SE NÃO FOSSEM, DE ALGUMA FORMA COMPREENDIDOS E TRAMADOS COM OS OUTROS. NOS SÓ PENSAMOS QUE SOMOS INDIVÍDUOS, MAS NOSSO SISTEMA, AINDA QUE MUITO REGULADO É ABERTO E INTERAGE DIRETO COM FORÇÃS PSÍQUICAS, COM O AR, COM AS IDÉIAS DOS OUTROS E ETC. NO ENTANTO, NOSSA EDUCAÇÃO É UM EXEMPLO DE TENTATIVA DE CONSTRUÇÃO DE INDIVÍDUOS MELHORES E, SE PENSA QUE A SOMA DE INDIVÍDUOS MELHORES RESULTARIA EM UMA COLETIVIDADE MELHOR. BEM, ISTO NÃO ESTÁ OCORRENDO. COMO SERIA SE A EDUCAÇÃO PROCURASSE FORMAR COLETIVIDADES MELHORES?

TTB: Você gostaria de fazer algum comentário final?

Robson: NÃO,  ACHO QUE FOI LEGAL

TTB: Obrigado por sua participação e suas reflexões.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A Educação e os Esportes Radicais

A Educação é um processo tão complexo e amplo que tentar defini-la é algo arriscado e temerário, pois envolve Ética, Conhecimento, Tecnologia, Cultura e tudo aquilo que nos permite viver em sociedade e transformar a natureza que está em nossa volta e em nós mesmos. Estar inserido ativamente neste processo é como estar em meio a um imenso oceano com suas calmarias e turbulências. Os educadores – professores, supervisores pedagógicos, enfim, aqueles que têm em sua práxis diária a Educação – são elementos chave neste processo, permitindo que os saberes construídos pela história humana possam se encontrar com as experiências novas dos jovens aprendizes e neste encontro estrondoso de caudalosos rios surge um novo ser que olha para o mundo e o transforma. Estar dentro deste fenômeno é como navegar nas correntezas de um rio furioso, pois nos dá um frio no estômago, uma incerteza sobre o que há de vir, porém, ao mesmo tempo, nos enche de curiosidade, coragem e nos torna intrépidos. Há uma “adrenalina” que corre nas veias dos educadores em geral para que estes possam acordar e enfrentar todos os dias um novo desafio. Não há fórmulas prontas e acabadas para se educar, não há certezas absolutas ou vitórias certas. Só há a certeza que repousa nos corações de cada educador de que o desafio deve ser enfrentado e que o prêmio é o maior que possa existir: formar um ser humano para que possa ser feliz em sua vida. É, formar para ser feliz, sim. Parece um pouco brega dito de forma descontextualizada, mas creio que educar é fazer de tudo para que as pessoas possam crescer como seres humanos éticos, compromissados, solidários e criativos. Elementos que certamente fazem parte da felicidade. Se você é um professor, por exemplo, e vê um aluno seu de épocas passadas, e ele o reconhece sabendo até seu nome, isto, meu caro, é um indicativo direto que os momentos que vocês passaram juntos foram felizes e trouxeram felicidades para ele. Lembrar com um sorriso no rosto é Felicidade na certa. Assim, a Educação é um Esporte Radical, com suas incertezas, desafios, perigos e aventuras e o educador é um praticante ativo deste esporte. E como todo esporte, deve ser praticado com disciplina, dedicação, técnica e, principalmente, apaixonadamente, pois como disse o imortal filósofo G.W. F. Hegel: “nada de grande acontece sem paixão”.

domingo, 20 de setembro de 2009

Tecnologias Digitais e Educação

Oi, gente! De forma geral, creio que todos nós concordamos que a utilização das tecnologias de informação e comunicação são interessantes para nosso processo de ensino-aprendizagem, já que elas nos dão ferramentas e recursos que educadores e educandos podem utilizar na aprendizagem. Poderíamos não utilizá-las e termos ainda Educação? Creio que sim, e as sociedades que ainda não tem condições materiais de utilização das tecnologias digitais não me deixam mentir. Não se trata de precisarmos ou não delas, mas que elas existem e podem ser usadas. Creio que exista, como dito por Vygotsky, um potencial de aprendizado nos indivíduos que necessite de mediação para poder se concretizar e, neste sentido, nós como educadores devemos lançar mão de todos os recursos disponíveis -tecnológicos, inclusive - para que possamos ajudar neste processo. Além disso, também acredito que aprendamos utilizando ferramentas, quer sejam objetos quer seja a Linguagem, e neste sentido as novas tecnologias podem ser utilizadas no processo de aprendizagem para que possamos construir/criar novos conhecimentos. Como estas tecnologias estão a nossa volta, espalhadas em diversos ambientes e situações de nosso cotidiano, creio que não usá-las seria um desperdício, até porque elas nos permitem acessar informações que de outra forma seria muito difícil ou impossível. Saiu na semana passada uma notícia sobre a foto de uma estrutura atômica, o que nunca tinha sido feito, e que esta estrutura era similar ao modelo científico criado. Esta informação seria interessante para ser discutida com nossos alunos, no que diz respeito às concepções humanas de átomo e estruturas moleculares. Nisto, as tecnologias digitais podem nos ajudar! Elas não devem ser consideradas como fatores primordiais para a transformação da Educação, mas como novas ferramentas para o processo de ensino-aprendizagem.





L. Vygostky

domingo, 6 de setembro de 2009

Do modelo a realidade

Graças ao meu amigo Andrei "The Source" Bosco, soube de uma notícia esta semana que muito me alegrou. Pesquisadores da IBM em Zurique conseguiram fotografar a estrutura atômica de uma molécula orgânica (http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=34463&op=all). As imagens são surpreendentes, como visto na imagem abaixo.
E o que me deixou mais empolgado foi que o modelo da molécula realmente é similar a sua estrutura real. Como modelos são aproximações dos fenômenos estudados, comprovar empiricamente a relação entre ambos é importante para a validação de uma teoria. Infelizmente, muitos de nós acreditamos que vários modelos e teorias propostos por cientistas sejam uma "fotografia" da realidade, que não pode ser questionado. Foi assim, por exemplo, com a Teoria newtoniana da Gravidade. Tais temas são tratados em nossas escolas como verdades absolutas e levam nossos alunos, quando as compreendem, a aceitar tais definições como inquestionáveis, axiomáticas. Não deveria ser assim, estas teorias devem ser contextualizadas no tempo e na história humana, para que fique claro os pressupostos de sua criação e as influências culturais, sociais e econômicas sofridas por seus idealizadores. No caso de Newton, a influência da idéia de uma realidade previsível e baseada em causa-efeito norteou suas descobertas. Esta idéia era bem ilustrada nos relógios mecânicos que foram inventados nesta época e cuja utilização foi disseminada pelas grandes navegações. O Universo seria um "imenso relógio", para Newton. Esta seria a metáfora que impulsionou toda a Ciência do século XVII ao início do século XX. Mas esta visão determinista foi modificada pela teoria da Relatividade de Einstein e a Física Quântica de Bohr, Planck e Heisenberg, dentre outros. Assim, novos modelos e teorias foram criadas e pesquisas estão sendo feitas a cada dia para validá-las. Porém, este movimento e esta dinâmica da Ciência parece não chegar às nossas crianças e adolescentes nas escolas. Para muitos, o modelo atômico de Rutherford e Bohr ainda seria o mais correto para a estrutura do átomo, o que já se sabe há tempos que não é. Precisamos mudar isso! Precisamos introduzir os conceitos novos da Ciência e a visão de que esta é dinâmica. Por quanto tempo mais iremos evitar tratar de problemas modernos da Ciência por serem estes mais "complexos" do que as teorias clássicas? Será mesmo que tais conceitos são muito difíceis para serem trabalhados com nossas crianças? Creio que não e defendo que devamos discutir este novos temas nas escolas, de forma não matemática, num primeiro momento, e depois introduzindo conceitos matemáticos que possam ancorá-los. O problema não são os conceitos e sim as metodologias utilizadas para o processo de ensino-aprendizagem, além do próprio despreparo dos professores para tratar de tais assuntos.



domingo, 23 de agosto de 2009

O processo dialético da Educação: uma primeira reflexão

A história da humanidade não é um processo linear como nos diz a visão positivista de progresso ou a visão cíclica de História dos gregos. Podemos perceber, pelo senso comum, que as coisas mudam embora muitas situações políticas, econômicas e sociais pareçam se repetir. O filósofo alemão Hegel percebeu que a história da humanidade é um processo dialético, mudando a partir de forças internas que a impulsionam. Embora a vontade dos homens esteja ligada a este processo, em um determinando ponto, os homens que fazem a História são produzidos por ela também. Esta força impulsora para Hegel era o “Espírito” da História, a razão humana acima do próprio homem. Esta visão foi retomada e modificada por Marx, introduzindo como forma motora da História as relações de Produção. No entanto, ambos acreditavam que tal processo era dialético, ou seja, construído a partir do trinômio tese-antítese-síntese. Para Marx, o Modo de Produção Feudal produziu sua própria antítese, o Mercantilismo e ambos foram superados pela síntese, que viria a ser o Capitalismo Moderno. Note que elementos de ambos ainda permaneciam dentro do Capitalismo, no entanto, este Modo de Produção era diferente do Feudal. A História da Humanidade é dialética! A meu ver, o problema deste raciocínio de Marx está em duas questões básicas: ter tratado este comportamento histórico como uma lei natural e achar que sendo uma lei, poderia ser previsto o comportamento da História. Bem, infelizmente não é assim. A idéia de Ditadura do Proletariado e os Estados Comunistas não conseguiram sobrepujar o sistema Capitalista que parece se manter o mesmo, firme e forte...Mas será que realmente o Capitalismo é o mesmo? Não, ele não é! Ele se transformou e se adequou às novas realidades humanas. Este mesmo processo se dá na Educação.

Embora nosso modelo tradicional de ensino seja baseado naquele utilizado pelos Jesuítas, muita coisa mudou desde então. No entanto, a questão das aulas expositivas, do processo de “transferência” das informações e conhecimentos por parte dos professores para os alunos, e a estrutura hierárquica da escola se mantém muito próximo ao que era há 500 anos. Porém, este sistema de ensino, como o capitalismo, também mudou. Passou por um processo dialético-histórico e suas bases se mantiveram as mesmas. Assim, quando dizemos que queremos mudar algo que já está caduco, é um erro. Ele é novo e se fortalece a cada dia. Ele reproduz conhecimentos passados para as novas gerações, ele permite um controle ideológico, ele não propicia o crescimento de uma geração mais criativa, indagadora e autônoma. Ele serve muito bem aos interesses do Modo de Produção reinante. Portanto, no processo de síntese deste sistema educacional, estas características ainda são mantidas. Mesmo quando antíteses, como a visão Construtivista de aprendizagem ou modelos mais libertários como os propostos por Paulo Freire, chocam-se com a tese do ensino tradicional, há estrondos, há mudança, mas o ensino tradicional se mantém!

Isto não quer dizer que devemos cruzar os braços, muito pelo contrário. Apenas é um alerta para que saibamos contra quem estamos lutando e por que o fazemos. Eu luto contra o modelo tradicional de ensino porque gostaria de ver um modelo que incentivasse mais a criatividade e a autonomia nos seres humanos. Gostaria de fazer parte, como professor, de um processo de ensino-aprendizagem que libertasse os homens e mulheres, para que possamos construir um mundo melhor.


sábado, 22 de agosto de 2009

Descobrindo os potenciais de busca no Gmail

Eu uso desde que este serviço foi disponibilizado. Não tenho muito a reclamar dele, a não ser o comportamento estranho que ele teve mês passado não deixando que eu anexasse nenhum arquivo. Graças ao meu amigo Andrei "A Fonte" Bosco, descobri mais algumas potencialidades deste serviço. Bem, quando estamos procurando uma mensagem dentro do Gmail usamos o recurso de busca que normalmente é eficiente. Mas se quisermos filtrar mais esta busca, podemos usar alguns operadores, como o "from:" (sem as aspas) que permite procurar somente as mensagens que venham de um determinado endereço ou pessoa. Por exemplo, "from:wwagner" trará todas as mensagens deste usuário wwagner que existam em minha Caixa de Correio (inbox). No entanto, podemos melhorar este processo usando o OR. Assim, se estamos procurando mensagens de FULANO ou BELTRANO, podemos usar: "from:FULANO or from: BELTRANO". Outro operador útil é o que permite procurar todas as mensagens que possuam anexos (attachments em inglês). Então, coloco na busca "has:attachment" e ela me devolverá todas as mensagens com anexo. Por fim, tenho um último que é muito interessante para procurar aquela mensagem que veio com um determinado arquivo em anexo. Posso usar o operador "filename:" para fazer este tipo de busca. Por exemplo, "filename:arquivo.doc" mostrará todas as mensagens que possuam como anexo o arquivo "arquivo.doc".
Para mais dicas, leiam o artigo "Using advanced search" no endereço http://mail.google.com/support/bin/answer.py?hl=en&answer=7190.

domingo, 16 de agosto de 2009

Parece até coisa de ficção...

As conexões sem fio e os dispositivos móveis, como celulares, smartphones e ipod touch, nunca estiveram tão em alta como nos últimos anos. Milhões de pessoas os utilizam para se comunicar, jogar, organizar seus compromissos ou em sua educação. A cada dia uma nova aplicação para estas tecnologias aparece e nos surpreende. O Office of Naval Research da marinha americana, por exemplo, está usando o ipod touch para controlar uma pequena aeronave não tripulada. É incrivel a capacidade de manobra deste pequeno engenho! Ele responde aos comandos de movimento do usário, a partir dos acelerômetros - sensores que captam movimentos - presentes no ipod touch. E mais,você pode traçar pontos de destino para determinar o movimento do MAV -micro aerial vehicle system (MAV), como é chamado em inglês este pequeno veículo aéreo - e um programa determina a melhor trajetória para o deslocamento dele. Já imaginou usar isto para salvamento de pessoas soterradas ou para verificar a integridade de estruturas onde um ser humano não poderia entrar? Claro que esta pesquisa na marinha americana deve ser para fins humanitários...claro...:-)






Segundo notícia da Newsweek, as forças armadas americanas estão utilizando ipod touch e iphone para diversas finalidades, como acesso a mapas, trajetórias, tradutores e, claro, comunicação por voz e vídeo. Também nos EUA, várias universidades estão usando estes gadgets da Apple com seus alunos, para informações sobre disciplinas, comunicação entre alunos e professores e acesso a conteúdos. É o Mobile Learning (m-Leaning) ganhando cada vez mais espaço!

Estas iniciativas futuristas estão transformando o nosso presente em um "filme de ficção científica". Você não se sente fazendo parte de um mundo como em "Eu, robô" ou "Minority Report"? Eu estou me sentindo e, claro, tentando ser o mais crítico possível neste processo, pois acho que tecnologia não é sinônimo de "um mundo melhor". Porém, fico intrigado e esperançoso com este brave new world que nem Aldous Huxley poderia imaginar.

P.S.: Quero agradecer ao meu amigo Andrei The Geek Bosco pela dica com o MAV-VUE! Valeu, Andrei!

domingo, 9 de agosto de 2009

O capitão está no holodeck!

"Number One: Computador, localize o capitão Picard! Computador: O capitão está no holodeck". Para os fãs de Jornada nas Estrelas, a Nova Geração, esta frase diz algo corriqueiro na vida dos tripulantes da nave estelar Enterprise. Você sabe o que é um holodeck? É uma sala especial onde são projetadas holografias sólidas, que permitem uma interação direta e a simulação de diferentes ambientes. No holodeck, você pode vivenciar a Nova Iorque da década de 30 ou um navio da marinha inglesa do século XIX. Tudo, as pessoas, objetos e ambiente, é "tocável" e reproduz a realidade.

Há até bem pouco tempo, falar de holografia sólida seria somente um papo entre nerds apreciadores de ficção científica, como eu :-). No entanto, pesquisas atuais feitas pela Universidade de Tóquio estão avançando rumo a criar de fato tal recurso tecnológico. Os pesquisadores Takayuki Hoshi, Masafumi Takahashiy, Kei Nakatsumaz, Hiroyuki Shinoda apresentaram um artigo sobre holografias que permitem ser tocadas, no SIGGRAPH 2009.O artigo, intitulado Touchable Holography, descreve a experiência do grupo de pesquisadores sobre a criação de um sistema que permite a projeção de hologramas, o mapeamento da interação com estes - permitindo "tocá-los" - e um sistema de resposta tátil para o processo de interação com estes hologramas. O feedback para a ação de tocar uma imagem holográfica é feito através de ultra-som. A idéia é fantástica e abre possibilidade para criarmos ambientes interativos de experiência virtual. Imagine poder ver e interagir com um modelo virtual de seu futuro apartamento, antes que ele exista. Ou poder fazer experiências com física nuclear, em um laboratório virtual, tendo uma interação mais próxima do real. Não é interessante? Bem, vamos acompanhar estas pesquisas e ver se chegaremos, finalmente, no Holodeck da Enterprise num futuro não muito distante :-).


Engenharia de Software não é Engenharia Civil

Estava num curso sobre Extreme Programming quando um dos participantes disse a frase "Engenharia de Software não é Engenharia Civil". Quando ouvi isto, fez todo o sentido! Eu já suspeitava que a natureza do software era mais complicada de projetar e de desenvolver do que um prédio. Na Engenharia Civil podemos ter a planta do prédio, os cálculos estruturais, o projeto elétrico e hidráulico, e a certeza que o cliente não vai mudar tudo no meio do caminho. No software (os analistas, gerentes de projeto e programadores, por favor, confirmem!) as regras podem mudar no meio do jogo. Como o software é uma "idéia", o cliente tem novas idéias e quer implementá-las, mesmo que a fase de definir os requisitos - o que se quer na aplicação - já tenha passado. Assim, a documentação que se faz do software, normalmente, fica desatualizada em relação ao produto final. É terrível! E os cronogramas? Para mantê-los é um deus-no-acuda. Na maior parte das vezes isto gera estresse e corre-corre para os analistas e os programadores. Outra coisa muito chata neste processo é a divisão de trabalho, tendo a separação das funções de analista e programador. Creio que não devesse haver isto e quem codificasse a aplicação também fizesse a análise e a modelagem. Mas isto é só uma opinião pessoal, sei que têm muitos profissonais que não gostam de programar, só de fazer a análise. Bem, por fim, trata-se os clientes de software como alguém que comprou um prédio. Ele só vê o produto no final ou em marcos muito espaçados. Ele não participa do processo, não se envolve. Quando uma pessoa se envolve no processo, ela entende melhor as mudanças de cronograma e as necessidades novas que se apresentam no processo de desenvolvimento de software. Creio que seja isto que tenha me chamado a atenção nas metodologias ágeis de desenvolvimento de software. Estou estudando, agora, a eXtreme Programming e estou gostando das idéias e propostas desta metodologia. Depois falarei um pouco mais sobre ela.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

e-Book Reader brasileiríssimo

Para aqueles que estavam injuriados com o fato dos leitores de livros eletrônicos (e-book readers), como o Amazon Kindle e o Sony Reader, não serem vendidos em nosso querido país, eis uma notícia fantástica: nós temos um leitor tupiniquim! É isto mesmo, as empresas pernambucanas Mix Tecnologia e Carpe Diem Edições e Produções criaram um reader - chamado Mix Leitor D - e deverão comercializá-lo a partir do próximo ano.


Você sabe quais são as vantagens de um aparelhinho como este?

Bem, primeiramente pense num dispositivo que não lhe cansa a vista quando você está lendo um livro eletrônico nele, permite que você possa fazer seleção de trechos e ainda consultar o dicionário para saber o significado de uma dada palavra. Tudo isso em um equipamento pequeno – do tamanho de um livro – leve e prático. Pois é, estes são os e-Book Readers. Todos eles utilizam uma tecnologia desenvolvida no MIT, chamada e-Link, que utiliza pequenas cápsulas ativadas eletricamente para formação das letras e imagens. Esta “tinta eletrônica” cansa muito menos que o CRT ou o LCD, usados em nossos computadores atuais. E mantém uma nitidez invejável, mesmo em ambiente muito iluminado, como uma praia. É muito interessante. Dois dos exemplos de peso destes equipamentos são o Amazon Kindle DX e o Sony Reader PRS-700. Ambos utilizam tecnologia para baixar os livros através de comunicação wireless celular - no caso do Kindle é através da operadora Spring. Ambos os aparelhos possuem conexão cabeada através de interface USB. Infelizmente todos eles só são vendidos nos EUA, embora o Kindle comece a ser vendido por uma livraria inglesa que deverá fornecer este produto para o mercado brasileiro. Sua faixa de preço é entre US$ 300,00 a US$ 489,00.

Quanto ao Mix Leitor D, ele pode acessar a Internet para fazer o download dos livros - coisa que os concorrentes estrangeiros não possuem - além de possuir um recurso chamado Interquiz que fornece ao usuário questões, respostas e comentários sobre assuntos que forem consultados. Seu valor deverá ser de R$ 650,00 (Básico) e R$ 1.100,00 (Premium).

Para saber mais: Reportagem da PC Magazine

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Filosofia se faz filosofando

Vocês já viram quantas revistas, cujo título está vinculado diretamente a Filosofia, temos hoje nas bancas? Há 20 anos mal tínhamos as revistas especializadas na área que falavam sobre filósofos de ontem e de hoje, agora, temos publicações leigas ou especializadas sobre o assunto. E livros? O livro Quando Nietzche Chorou, o best-seller de Irvin D. Yalom, virou até filme (e muito bom, por sinal!). Não posso deixar de comentar, claro, o fantástico livro do norueguês J. Gaarder, O Mundo de Sofia, que encanta adultos e crianças. Mas por que a Filosofia, que já faz parte da história ocidental há milênios, resolveu dar as caras em nosso tempo moderno, onde impera a Ciência e a Técnica? Bem, talvez porque a Filosofia permita que possamos nos conhecer melhor por dentro, refletir sobre quem somos, porque somos e para onde estamos indo. Filosofar é olhar para dentro de si e tentar buscar respostas que possam ser entendidas por nossa Razão, além de nossos sentimentos. Ela também é um olhar para fora, para onde caminha a humanidade, para os homens e suas relações. E, por fim, creio que ela nos permita juntar esta sopa-de-letrinhas que é o conhecimento construído a partir das diversas Ciências.

Fico contente com esta nova tendência que tenta mostrar a Filosofia sem o jargão técnico. Será que eu preciso mesmo conhecer as palavras devenir ou dialética para entender que o mundo e nós mesmos estamos em um eterno mudar? Exercitar o ato de questionar, refletir sobre as coisas e as pessoas, tentar entender o mundo e o que fazemos nele, isto sempre foi o que me impulsionou a gostar de Filosofia e a ler aqueles que pensaram sobre tais questões.

Bem, fiquemos por aqui neste instante. Vejamos um pouco da filosofia-do-humor do grupo inglês Monty Python logo abaixo. Espero que não sejamos os filósofos que preferem o som de suas próprias palavras, ao mundo que os cerca e a ação sobre este mundo. Creio que Arquimedes preferiu a ação e por isso marcou um gol! :-) Ah, você conhece algum destes filósofos citados no vídeo do Monty Python?


Manifesto de Repúdio ao Ódio (Ir)Raci(on)al para com as Linguagens de Programação

Bem, não sou um programador profissional, como todos sabem, mas sei programar e gosto desta atividade! Fui fisgado por ela desde que vi pela primeira vez um interpretador BASIC, residente em ROM, que vinha no CP-400 (ou era 200, não lembro bem!) de meu amigo Miguel Franklin. Movido por isto fiz curso no Data Center - meu Deus, há 22 anos atrás!- de programação Basic e Cobol, aprendendo um pouco sobre programação estruturada para fins comerciais e desenvolvimento de programas gráficos. Pois é, programas gráficos! Fiz uma animação bem bonitinha, em Basic, num um velho Apple II e passei a gostar de programar. Depois entrei na Escola Técnica, vi Pascal, que achei legal, mas, creio eu, não me empolgou tanto devido ao professor ou ao meu humor da época. Nesta mesma época vi a linguagem C e Smalltalk, adorei as duas. Com o C eu passei mais tempo pois tive projetos e disciplinas onde pude usar estas linguagens. Na época, usei os compiladores da Borland, que gostava muito e o IDE Turbo C, muito legal. Quando começou a onda de programação com linguagens visuais, para Windows, eu conheci o Visual Basic, uma linguagem legal de usar e que vinha com um IDE da Microsoft muito ajeitadinho. Como tinha que ganhar dinheiro, também tive que programar em Clipper, tendo o famoso "livro do navio" como minha bíblia de referência. Na faculdade vi Java, e achei que havia descoberto a linguagem dos meus sonhos, pois era naturalmente era multi-plataforma e era tão organizadinha, mas acabei não seguindo com o uso dela. Sempre gostei de conhecer linguagens novas e tecnologias nova, é meio que uma compulsão minha :-).

Mas veio "The Dark Age", quando os programadores passaram a se comportar como "evangelizadores" e as linguagens e tecnologias tornaram-se seus novos credos. "Você é JEE ou .Net? Cuidado com sua resposta pois isto pode lhe custar a vida", dizem os novos profetas digitais. "Você usa Visual Studio ou Eclipse?", se você estiver no círculo acadêmico, você pode ser apedrejado se responder a primeira opção. Caso esteja em algum workshop da Microsoft, a segunda resposta pode ser motivo de linchamento. Detalhe, provavelmente um lado só conheça bem a tecnologia que usa e, por isso, acha que deve se comportar como se estivesse em uma torcida uniformizada de futebol, onde o outro time é sempre ruim. Não é bem assim, gente! Não deve ser bem assim. Gosto do movimento Open Source do Richard Stallman, gosto mesmo, acho que ele tá certo em muitas coisas, mas ainda não não estou a fim de discutir tecnologia como credo e sim como tec-no-lo-gi-a, entende. Adoro saber as novidades do Actionscript com meus amigos Lima Jr e Rafael Dourado ou os potenciais do .Net com minha esposa. Gosto de saber programar para dispositivos móveis usando JME, mas tava de olho no Objective-C para usar nos iPhones. Fiquei sabendo pela minha amiga Manu que Phyton é muito legal e vou experimentar. Veja, vou "experimentar" para saber se gosto ou não, se é bom ou não. Se me serve ou não.

Era isso que estava preso em minha garganta há tempos e eu queria falar! Esta é a mensagem de alguém que esteve vivo para ver Sun Microsystem e IBM falarem de código aberto e compartilhar código :-). Bem, paz para os "javeiros" e "c-sharpistas" do mundo todo!

Pois é...estamos na web 2.0 agora!

Pois é, eis meu blog! Tinha conversado com Patty, minha esposa, que queria fazer um blog para compartilhar algumas idéias sobre temas que gosto de conversar, como Tecnologia Digital, Ciências e Filosofia. Tem tanta coisa acontecendo, nestas áreas, nos últimos tempos que nem sabia por onde começar, mas finalmente criei coragem e comecei :-). Primeiramente queria explicar o nome do blog, Thinking and the Brain, que é uma brincadeira com o nome de um desenho animado que gosto muito e que mistura ciência, tecnologia (ACME, claro!) e muito bom humor, que é o Pinky e o Cérebro (Pinky and the Brain). Acho que conhecer é divertido, portanto, tá aí o nome. Espero que vocês gostem deste espaço!


Abertura do Pinky e o Cérebro